Documentos do Banco Central enviados ao Supremo Tribunal Federal indicam que Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, recebeu R$ 4 milhões de uma empresa ligada a Daniel Vorcaro. O servidor foi afastado do cargo em janeiro, quando começaram as apurações sobre o caso Master.
Santana foi alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, em março deste ano. Na decisão que autorizou a operação, o Supremo apontou que ele teria atuado de “modo informal e reiterado” em favor do Master, com indícios de uma proposta de contratação simulada para justificar os pagamentos.
Contratos e pagamentos
Segundo as apurações do Banco Central, Santana recebeu uma proposta de Leonardo Palhares, por meio da Varajo Consultores, para elaborar um projeto de inclusão financeira de jovens pobres. Palhares também era sócio da Super Empreendimentos, holding usada por Vorcaro em diferentes negócios, e afirmou ter ligação com a Câmara Brasileira da Economia Digital.
Uma Comissão de Sindicância Patrimonial foi criada pelo Banco Central em janeiro para analisar o caso. O colegiado identificou dois contratos entre Santana e a empresa de Palhares, cada um no valor de R$ 2 milhões. O primeiro, assinado em outubro de 2023, previa quatro pagamentos de R$ 500 mil entre outubro daquele ano e janeiro de 2024.
O segundo contrato foi assinado em 2024. Houve dois pagamentos de R$ 500 mil entre setembro e outubro, seguidos por dez parcelas de R$ 100 mil distribuídas entre março e dezembro de 2025. Santana interrompeu sua participação no projeto em 2024, mas os pagamentos foram retomados no ano seguinte por meio da empresa Inspiração, criada por ele.
A comissão considerou incompatível o valor recebido com a experiência e o trabalho apresentado. O relatório afirma que Santana descreveu como entrega de um dos contratos um relatório de 50 páginas, baseado principalmente em artigos de terceiros.
O colegiado também destacou que a Varajo Consultoria tinha capital social de 10 mil reais, apesar de ter desembolsado R$ 4 milhões nos contratos. Ao final, apontou indícios de negócio jurídico simulado e pediu a abertura de processo administrativo contra Santana por possível enriquecimento ilícito, conflito de interesses e violação de deveres funcionais.
Defesa
A defesa de Belline Santana afirmou que ele já explicou o projeto em depoimento. Segundo os advogados, na época da contratação, em 2023, Santana não sabia de qualquer relação entre a Varajo Consultoria, Leonardo Palhares, a Câmara E-Net, Daniel Vorcaro e o Banco Master.
A defesa também disse que Santana foi indicado a Palhares por diferentes pessoas, inclusive por Vorcaro, para participar do projeto social, mas que não tinha conhecimento de qualquer relação de financiamento. Os advogados afirmaram ainda que as atividades de supervisão do Banco Master ocorreram em 2024 e 2025 e foram realizadas de forma íntegra.







