A Polícia Federal descreveu a atuação de Paulo Sérgio Neves de Souza em negociações envolvendo instituições ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro. O servidor ocupava o cargo de chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) do Banco Central quando os episódios ocorreram, segundo relatório tornado público nesta sexta-feira (11).
Entre as situações analisadas está a tentativa de aquisição do Letsbank, controlado por Vorcaro. Em outubro de 2024, Paulo Sérgio informou ao banqueiro que o Nubank poderia ter interesse na compra da instituição. Ele também perguntou sobre valores e afirmou que levaria as informações a potenciais compradores. Para a PF, o servidor funcionava como uma “espécie de interlocutor dos interesses de Vorcaro” nessa negociação.
O negócio não foi adiante. O Nubank informou que recebe propostas de diversas instituições e avalia cada uma com critérios de compliance, governança e gestão de risco. A empresa afirmou que o Letsbank esteve entre as instituições apresentadas como possível oportunidade de aquisição nos últimos anos, mas que a proposta foi recusada.
Compra do Voiter
O relatório também aborda a compra do Voiter pelo Banco Master, anunciada em fevereiro de 2024. A negociação envolveu Roberto Rezende de Barbosa, então controlador do Voiter. Em 5 de abril, Paulo Sérgio encaminhou a Vorcaro uma mensagem de agradecimento recebida de uma pessoa identificada como Leandra. O conteúdo atribuía ao servidor empenho para que o negócio fosse concluído “em tempo recorde”.
A PF não detalhou qual teria sido a atuação de Paulo Sérgio para viabilizar a conclusão da transação. O sigilo dos documentos foi retirado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, após decisão do presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
Mensagens sobre o Will Bank
Os investigadores afirmam que os contatos em favor de Vorcaro começaram a aparecer logo depois da nomeação de Paulo Sérgio para a chefia-adjunta do Desup, em outubro de 2023. A partir daquele momento, ele teria dado “prioridade absoluta” aos interesses do banqueiro.
Outro episódio envolve o Will Bank. Segundo a PF, Vorcaro havia recebido uma negativa no processo de aquisição da instituição pelo Master/Reag, e Paulo Sérgio teria tentado ajudar na revisão do posicionamento. O relatório não informa qual foi a atuação concreta do servidor nessa tentativa.
Em julho de 2025, Vorcaro vendeu o controle do Voiter ao ex-sócio Augusto Ferreira Lima. O banco passou a se chamar Banco Pleno e foi posteriormente liquidado pelo Banco Central. O Will Bank também foi liquidado este ano.







