As projeções para a próxima decisão do Federal Reserve mudaram após a divulgação dos dados de inflação dos Estados Unidos. O mercado passou a atribuir 85,6% de probabilidade a uma elevação de 0,25 ponto percentual nos juros, conforme dados compilados pelo CME Group.
A possibilidade de manutenção da taxa caiu para 14,4%. Há uma semana, os percentuais eram de 59,4% para uma alta e 40,6% para a manutenção. Na véspera, a chance de aperto monetário estava em 72,4%, enquanto a de estabilidade era de 27,6%.
Pressão nos preços
O índice de preços ao consumidor (CPI) teve alta de 0,3% no núcleo em agosto, acima da expectativa de avanço de 0,2%. Em 12 meses, o indicador acumulou alta de 2,4%.
Os números do CPI e do índice de preços ao produtor (PPI) ficaram praticamente alinhados ao consenso do mercado, mas os núcleos mostraram pressão acima do esperado. A leitura indica que a desaceleração da inflação observada nos meses anteriores perdeu força.
Antes da divulgação, economistas do Citi avaliavam que uma alta mensal de 0,3% no núcleo seria suficiente para levar o Fed a aumentar os juros. A instituição também projeta avanço de 0,29% no núcleo do índice de preços de gastos com consumo (PCE) em agosto, tanto na comparação mensal quanto na anual, com alta de 3,14% na variação anual. A equipe do J.P. Morgan passou a trabalhar com a mesma projeção mensal.
Reação no mercado de juros
A expectativa de aperto monetário também influenciou os títulos de prazo mais longo. Próximo às 10h55 (horário de Brasília), a taxa da T-note de dez anos recuava para 4,930%, ante 4,969% no ajuste anterior. O rendimento do T-bond de 30 anos caía para 5,326%, contra 5,368%. Já o juro da T-note de dois anos oscilava de 4,594% para 4,588%.
A TS Lombard afirmou que os dados reforçam a possibilidade de alta dos juros pelo Fed em setembro, mas questionou a dependência de um único mês de inflação. “É, de certa forma, absurdo que uma decisão tão crucial sobre as taxas de juros possa depender de um único dado”, disseram os economistas da consultoria.
A consultoria já previa que o próximo movimento seria de restrição monetária. Para a TS Lombard, um aumento de 0,25 p.p. reforçaria o discurso do presidente Kevin Warsh e mostraria que ele fala sério sobre a política de juros.







