A estratégia de crédito do Itaú Unibanco combina expansão da carteira, controle da inadimplência e avaliação dos setores com maior risco. No ano passado, os empréstimos do banco chegaram a R$ 1,5 trilhão, alta de 6% em relação ao exercício anterior, enquanto os indicadores de atraso ficaram nos melhores patamares históricos da instituição.
A carteira também cresceu 2,7% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os primeiros três meses do ano, sem perda desses níveis de inadimplência. O resultado ocorreu em um cenário de elevado endividamento das famílias e de aumento de 4,2% nos atrasos de pagamentos registrados no sistema financeiro nacional em 2025.
Crédito com foco em relacionamento
A instituição afirma que passou a priorizar clientes mais engajados e a formação de uma carteira capaz de reduzir a volatilidade dos resultados ao longo do tempo. A decisão envolve análise de clientes e setores mais expostos ao risco de inadimplência, além de concessão responsável.
“Não é crescer por crescer, é crescer com qualidade e consistência”, afirma Milton Maluhy Filho, presidente do Itaú Unibanco. Segundo o executivo, a estratégia vale tanto para as operações de varejo quanto para as de atacado.
Entre os produtos citados pelo presidente está o consignado CLT, descrito por ele como uma solução mais barata e competitiva para os clientes. O banco também lançou o ia.i, ferramenta baseada em inteligência artificial proprietária que oferece respostas personalizadas para apoiar decisões financeiras. A proposta é priorizar informação qualificada, e não o volume de interações.
Resultado e transformação digital
Em 2025, o lucro líquido recorrente do Itaú foi de R$ 46,8 bilhões, crescimento de 13,1% sobre 2024. No segundo trimestre de 2026, o lucro alcançou R$ 12,4 bilhões, alta de 1% em relação ao trimestre anterior e de 7,8% na comparação com o mesmo período do ano passado.
O banco relaciona o desempenho ao crescimento da carteira com qualidade e aos investimentos em tecnologia. Para melhorar a jornada dos clientes, modernizou plataformas e reorganizou equipes, com o objetivo de acelerar as entregas e ampliar a capacidade de atendimento.
A instituição foi escolhida pelo quinto ano consecutivo como a melhor empresa do setor financeiro no anuário Valor 1000. Para Maluhy Filho, o planejamento é operar como um banco universal, com presença relevante nos negócios em que atua e equilíbrio entre atacado, varejo e tesouraria.
Financiamento sustentável
Na agenda ESG, o Itaú trabalha com três pilares: finanças sustentáveis, transição climática e diversidade e desenvolvimento. A meta de financiamento a setores de impacto positivo foi ampliada para R$ 1 trilhão até 2030. O objetivo anterior, de R$ 400 bilhões, foi cumprido antecipadamente.
Em 2025, o banco destinou R$ 7,7 bilhões ao financiamento climático. Desse total, R$ 1,9 bilhão foi direcionado a veículos elétricos e híbridos; R$ 4,1 bilhões, a créditos vinculados a metas de sustentabilidade; R$ 1,2 bilhão, a edifícios sustentáveis; R$ 380,4 milhões, ao Programa Reverte, realizado em conjunto com a Syngenta; e R$ 241,8 milhões, a operações verdes.
As emissões financiadas pelo banco somaram 21,9 milhões de toneladas de carbono em 2025, queda de 2,2% ante 2024. A redução ocorreu mesmo com crescimento de 9,7% na carteira avaliada, que corresponde a 62% do crédito total da instituição.







