O rendimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos com vencimento em dez anos superou 5% nesta segunda-feira, pela primeira vez desde 2023. A taxa chegou a 5,012%, ante 4,974% no ajuste anterior, próximo às 11h30 (horário de Brasília).
O movimento ocorre em meio à alta dos preços do petróleo e à cautela dos investidores antes da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed). A credibilidade do banco central americano também está sob pressão, enquanto o mercado aguarda uma possível alta de juros nesta semana.
A taxa do título de 2 anos avançou para 4,675%, contra 4,628%. O nível atingido pelo papel de dez anos também remete ao patamar observado durante a crise do subprime, em 2007.
Petróleo e risco geopolítico
Parte da pressão sobre os juros foi associada à piora na percepção de risco geopolítico e aos danos em estruturas petrolíferas na região do Golfo Pérsico. Entre os fatores citados estão ataques Houthis ao oleoduto leste-oeste da Arábia Saudita e o adiamento de uma reunião entre países árabes sobre a reabertura do Estreito de Ormuz.
Os preços do petróleo operam acima de três dígitos, enquanto o Brent, referência global, se aproxima de US$ 110 por barril.
Também contribuiu para o movimento a atuação do Tesouro americano no mercado de Treasuries. O secretário Scott Bessent minimizou, na semana passada, as preocupações com a alta dos rendimentos e defendeu a intervenção recente do governo. O Departamento anunciou valores para ampliar a política de recompra, mas os números ficaram abaixo das expectativas do mercado. Depois, o Tesouro recomprou um valor inferior ao teto estipulado, ampliando o estresse na curva de juros.
“A reunião do Fed na quarta-feira servirá como um teste decisivo para a determinação de Warsh em combater a inflação”, disse Ian Lyngen, estrategista de juros da BMO Capital. Para ele, uma surpresa dovish, associada à preferência por juros mais baixos, teria efeito negativo sobre a ponta longa da curva de juros.







