SÃO PAULO — A maioria dos brasileiros que espera usar o INSS como fonte de renda na aposentadoria acredita que precisará reduzir gastos para se manter. Nesse grupo, apenas 25% projetam conservar o padrão de vida atual, segundo a quarta edição da pesquisa “Percepção dos Brasileiros sobre Proteção e Planejamento”, encomendada pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) ao Datafolha.
O levantamento ouviu 1.908 pessoas no país. Entre os 38% que pretendem contar com o INSS na aposentadoria, somente 35% sabem informar quanto devem receber. Além disso, 56% esperam ter de cortar despesas.
Idade para parar de trabalhar
A pesquisa mostra uma diferença entre o desejo e a expectativa dos trabalhadores. Embora 59% dos que ainda estão no mercado queiram deixar a ativa até os 60 anos, apenas 28% acreditam que conseguirão fazer isso nessa faixa etária. Outros 32% estimam que só vão se aposentar a partir dos 61 anos, enquanto 11% acham que nunca conseguirão parar de trabalhar. Há ainda 12% que não pretendem se aposentar.
Carlos Eduardo Gondim, diretor da Fenaprevi e diretor-executivo de Soluções de Acúmulo da Porto Seguro, afirmou que os brasileiros reconhecem o risco, mas não o relacionam a uma solução. Para ele, é necessário ampliar o conhecimento sobre previdência privada e discutir mais cedo quando começar a poupar e quanto guardar.
Ângela Assis, vice-presidente da Fenaprevi e CEO da Brasilprev, destacou a importância de melhorar a comunicação sobre produtos de previdência e seguros. Ela mencionou a necessidade de informar públicos vulneráveis sobre coberturas para situações como perda temporária de renda, incluindo motoristas de aplicativos de entrega e transporte.
Medos e proteção financeira
A falta de atendimento médico em caso de doença é o temor mais citado, por 72% dos entrevistados. Apesar disso, apenas 28% adotaram alguma medida preventiva. A morte de um familiar preocupa 70%, mas 22% disseram estar preparados para essa situação. Já 63% temem contrair uma doença grave, enquanto 34% afirmaram tomar alguma atitude para se proteger.
Sem receber opções prévias, apenas 13% lembraram de seguros e previdência privada como formas de proteção contra imprevistos. Poupar ou investir foi a alternativa indicada por 42% dos participantes.
Quando apresentados a coberturas que podem ser usadas ainda em vida, 80% disseram que contratariam um produto que reunisse aposentadoria, indenização por doenças graves, internações e despesas de planos de saúde.
Seguros e previdência privada
De acordo com o estudo, 41% dos respondentes têm algum seguro ou plano de previdência privada. O seguro funeral aparece com 30%, seguido pelo seguro de vida, com 18%. Os seguros por invalidez, contra doenças graves e prestamista alcançam, respectivamente, 10%, 7% e 6%. Apenas 9% afirmaram ter algum plano de previdência privada.
O significado correto de “prêmio” no mercado de seguros — o preço mensal pago pelo segurado à seguradora — é conhecido por somente 12% dos brasileiros. Os outros 88% confundiram o termo com outros significados.
Entre os 82% que não têm seguro de vida, 13% dizem que o produto é caro. No entanto, apenas 27% desse grupo pesquisaram ou conhecem os custos reais. Outros 45% não sabem o valor e consideram, por percepção pessoal, que a proteção não caberia no orçamento mensal.
Assis também defendeu mais incentivos para que empresas ofereçam planos de previdência privada aos funcionários. Durante o painel, ela afirmou: “Não vamos democratizar a previdência sem isso, é questão de política pública.” A executiva citou estudos segundo os quais, em 2051, o INSS terá mais beneficiários do que contribuintes.







