A possível saída de Isabel Schnabel do Banco Central Europeu (BCE) deve ser negociada junto com outras mudanças no comando da instituição. A dirigente alemã vai anunciar sua renúncia nesta quinta-feira (24) para ingressar no Fundo Monetário Internacional (FMI), onde assumiria uma função ligada ao departamento de mercado.
Schnabel é responsável pelas operações de mercado do BCE e deveria permanecer no cargo até o fim de 2027. O FMI busca um novo diretor para essa área até o final deste ano. BCE e FMI não comentaram a possível mudança.
A sucessão ocorre em meio a outras vagas previstas na cúpula da autoridade monetária europeia. O economista-chefe Philip Lane deve deixar o posto em maio, enquanto a presidente Christine Lagarde deverá sair até outubro próximo, no máximo. Lagarde também é alvo de rumores persistentes de renúncia.
Disputa entre países
A substituição de Schnabel pode fazer parte de um acordo político mais amplo. Alemanha, Espanha, Holanda e França disputam posições de influência no conselho do BCE. Alemanha, França e Itália têm, de fato, um assento permanente no órgão, embora qualquer país possa concorrer ao cargo ocupado atualmente pela dirigente alemã.
Se a Alemanha escolher outro nome para a vaga de Schnabel, o país deixaria de disputar a presidência do BCE quando o posto de Lagarde ficar disponível. Por isso, um eventual acordo sobre a substituição da dirigente deve envolver também as outras duas posições em disputa.
A Espanha apoia o gerente geral do Banco de Compensações Internacionais (BIS), Pablo Hernández de Cos, para a presidência do BCE. A Holanda defende Klaas Knot, ex-presidente do banco central do país. Na Alemanha, o presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, chegou a ser considerado para o comando da instituição, mas esse compromisso perdeu força recentemente, e o país pode escolher outra posição.
A França, que já indicou dois presidentes do BCE — Lagarde e Jean-Claude Trichet —, espera conquistar o cargo de economista-chefe, conforme informações divulgadas anteriormente.







