O Sinduscon-MG completa 90 anos em 2026 com a construção civil mineira diante de uma queda recente nos lançamentos imobiliários e de custos pressionados por juros elevados. A entidade representa aproximadamente 13 mil empresas em 545 municípios e reúne mais de 360 mil empregos formais.
O presidente do sindicato, Raphael Lafetá, afirma que o impacto das taxas aparece com mais força porque os empreendimentos têm ciclos longos. Entre a compra do terreno e a entrega do imóvel, podem se passar cinco anos. Nesse intervalo, juros altos reduzem a rentabilidade e limitam o reinvestimento das empresas.
O mercado começou 2026 mantendo o ritmo de lançamentos observado em 2025, mas os dados mais recentes indicam desaceleração das vendas e redução de novos projetos. Para consumidores de maior renda, o financiamento de longo prazo perdeu atratividade. No segmento de interesse social, o aumento do custo de vida e o endividamento das famílias diminuíram a capacidade de compra, apesar de taxas menores e do acréscimo de R$ 500 milhões nos subsídios do Minha Casa, Minha Vida para 2026.
“Ele está com pé no freio. Com isso, as atividades das empresas começam a diminuir”, disse Lafetá.
Demanda por moradias supera oferta
A construção civil ainda tem espaço para crescer, na avaliação do presidente do Sinduscon-MG. O país produz entre 600 mil e 700 mil moradias por ano, enquanto a formação de novas famílias gera uma necessidade anual estimada entre 1 milhão e 1,2 milhão de unidades.
No cenário nacional, o PIB da construção deve avançar 1,2% em 2026. No segundo trimestre, o setor registrou R$ 105,3 bilhões em valor adicionado. No primeiro semestre, respondeu por cerca de 19% dos novos empregos com carteira assinada criados no Brasil. Minas Gerais abriu 21.605 vagas no segmento e foi o segundo Estado com maior número de novos postos.
Padronização e inovação
Para converter a demanda em expansão, o setor aponta a necessidade de juros menores, segurança jurídica, previsibilidade e menos burocracia. Lafetá também defende a padronização e a industrialização da construção, que podem reduzir custos de materiais e projetos.
A entidade cita diferenças entre legislações municipais e exigências dos corpos de bombeiros como obstáculos à produção em escala. A digitalização de aprovações, regularizações e procedimentos cartoriais é outra medida apontada para aumentar a eficiência.
Ao longo de nove décadas, o sindicato ampliou sua atuação para mais de 500 cidades e passou a trabalhar também com capacitação, legislação e interlocução técnica com o poder público. Em 2025, lançou o Sinduscon-MG Lab, voltado à inovação e à competitividade. A entidade mantém ainda uma diretoria de meio ambiente desde 2021.
Lafetá demonstra apreensão com 2027, quando as empresas deverão entregar empreendimentos vendidos anteriormente em um ambiente de custos elevados. Mesmo assim, considera que a oferta inferior à demanda mantém perspectivas de longo prazo para a construção civil.







