Henrique Sinatura encontrou dentro do Boston Consulting Group (BCG) uma forma de empreender sem deixar a empresa. A partir de uma unidade de inteligência artificial (IA) e aprendizado de máquina, ele ajudou a criar uma operação que hoje responde, em média, por mais de 40% dos negócios da consultoria no país.
Em 2017, após dez anos na companhia, Sinatura avaliava aceitar uma oferta de uma startup. Ele conversou com sócios do BCG sobre a possibilidade de sair, mas recebeu uma alternativa: construir uma startup dentro da própria organização. Naquele momento, tornou-se responsável por estruturar no Brasil uma área que já existia na França, com vinte especialistas.
A iniciativa deu origem ao BCG X. Segundo Sinatura, a unidade ampliava o trabalho tradicional da consultoria com dados e análises, transformando informações em recomendações estratégicas. “Eu falei: ‘esse negócio vai longe’”, contou.
De executivo a empreendedor
Para tirar o projeto do papel, Sinatura reuniu profissionais da empresa que tinham afinidade com o tema e eram reconhecidos por sócios e funcionários. Ele afirma que fez engenharia e não tinha formação como cientista de dados. A equipe inicial também foi ampliada posteriormente com profissionais do mercado.
O desafio não era apenas montar o time. Sinatura precisou mudar a forma de trabalhar, deixando de se concentrar somente nas métricas de uma frente de negócios para lidar com planejamento financeiro, gestão de pessoas, oferta de serviços e cobertura de mercado. Também foi necessário criar uma cultura própria para a nova área dentro do BCG.
“Começamos com meia dúzia e agora esse grupo tem mais de 250 profissionais”, afirmou. A experiência, segundo ele, ajudou a manter sua evolução profissional na empresa.
Dois anos depois, em 2019, Sinatura foi eleito diretor-executivo e sócio do BCG global. Em 2025, tornou-se sócio sênior. No ano passado, assumiu a direção-geral das operações da consultoria no Brasil. Ele entrou na companhia como estagiário e soma mais de 18 anos de empresa.
Conselhos para a carreira
Ao falar sobre sua trajetória, Sinatura destacou a importância de observar e ouvir colegas. Para ele, cultivar relações com pares e lideranças ajuda a encontrar pessoas que podem oferecer visibilidade, abertura e caminhos dentro da organização.
Ele também recomenda escolher as áreas de aprofundamento profissional levando em conta as pessoas com quem se pretende trabalhar. Na consultoria, os profissionais começam como generalistas e passam por projetos e setores diferentes antes de optar por um segmento.
Outro conselho é manter modéstia e simplicidade mesmo ao ocupar uma posição de destaque. Sinatura defende que as oportunidades não sejam tratadas como garantidas e que o profissional continue se esforçando para merecer o espaço conquistado.







