A Suzano identificou aproximadamente 388 mil hectares de áreas florestais com algum nível de sensibilidade à natureza em seu primeiro relatório baseado nas recomendações da Taskforce on Nature-related Financial Disclosures (TNFD). O levantamento avaliou dependências, impactos, riscos e oportunidades ligados à natureza nas operações da companhia.
O TNFD é uma estrutura internacional para a divulgação de informações financeiras relacionadas à natureza. A metodologia LEAP, adotada pela Suzano, orienta empresas a localizar suas interfaces com o meio ambiente, avaliar dependências e impactos, analisar riscos e oportunidades e preparar respostas.
Como o levantamento foi feito
A análise combinou bases públicas de informações geoespaciais com dados próprios da empresa. Foram considerados aspectos como biodiversidade, recursos hídricos, integridade dos ecossistemas e relevância socioambiental para localizar as áreas mais sensíveis.
O trabalho também envolveu equipes de sustentabilidade, riscos, operações florestais e industriais, geotecnologia, pesquisa, gestão territorial e governança corporativa. A alta liderança e o Comitê de Sustentabilidade participaram do processo, que ainda contou com parceiros externos e fóruns técnicos como a IUCN e o CT Bio do CEBDS.
A companhia utilizou ferramentas como o ENCORE, para avaliar dependências e impactos, e o Nature Capital Protocol, voltado à quantificação. Um dos desafios foi integrar diferentes bases ambientais, sociais e operacionais. De acordo com Giordano Automare, gerente executivo de Sustentabilidade da Suzano, o processo também mostrou pontos para aperfeiçoar a metodologia e ampliar seu escopo.
A Suzano acompanha o TNFD desde 2021 e participou do grupo de 40 instituições que apoiaram a iniciativa em seu lançamento. Antes da publicação do framework, em 2023, a empresa realizou pilotos internos com versões preliminares das recomendações.
Uso na gestão
A companhia afirma que os resultados passaram a orientar a Estratégia de Natureza e decisões sobre conservação, restauração e planejamento territorial. As informações também são usadas na priorização de áreas, na gestão de riscos climáticos e relacionados à natureza, na avaliação de investimentos e na definição de estratégias de longo prazo.
A identificação das áreas sensíveis deve direcionar ações de conservação, restauração e conectividade de paisagens. A Suzano relaciona o trabalho à redução de riscos operacionais, regulatórios e reputacionais e ao fortalecimento da resiliência de sua base florestal.
A agenda está ligada ainda à meta de conectar 500 mil hectares de fragmentos de vegetação nativa no Cerrado, na Mata Atlântica e na Amazônia até 2030.
A empresa pretende continuar usando o TNFD e aprimorar os próximos reportes, com ampliação gradual do escopo, incorporação de novos dados e aprofundamento das análises. Também acompanha aplicações de automação, inteligência artificial e análise de dados para melhorar a captura, a consolidação e a avaliação das informações de sustentabilidade.
Para a companhia, a evolução desse sistema atende a demandas de investidores, clientes e instituições financeiras. As informações sobre natureza também podem ajudar clientes a lidar com exigências regulatórias, de mercado e de sustentabilidade.







