O Tata Trusts, braço filantrópico que controla 66% das ações da Tata Sons, contestou publicamente a decisão do conselho da holding de manter Natarajan Chandrasekaran na presidência e apoiar a abertura de capital da companhia. O grupo afirmou que poderá usar seu poder de veto contra o IPO.
A entidade considera a recondução uma “nulidade jurídica”. O argumento é que o estatuto social exige a aprovação unânime dos dois conselheiros indicados pelo Tata Trusts para a escolha da liderança. Na votação, quatro integrantes do colegiado apoiaram a extensão do mandato, enquanto Noel Tata foi contrário. Venu Srinivasan, o outro representante indicado pelos fundos, não acompanhou o veto.
A Tata Sons, por sua vez, sustenta que a maioria simples é suficiente para validar a decisão. O novo mandato de Chandrasekaran terá duração de mais cinco anos e reverte o anúncio feito pelo executivo no mês passado, quando comunicou aos funcionários que deixaria o cargo ao fim do período atual, em fevereiro de 2027.
Noel Tata lidera o Tata Trusts e é meio-irmão de Ratan Tata, patriarca histórico do conglomerado, que morreu em outubro de 2024. Chandrasekaran foi o primeiro executivo de fora da comunidade parsi zoroastriana a comandar a holding. Ele ocupa a presidência desde 2017 e foi responsável por multiplicar o valor de mercado do grupo.
A disputa também envolve o futuro societário da Tata Sons. O Reserve Bank of India rejeitou o pedido para que a holding deixasse de ser classificada como uma instituição financeira não bancária de grande porte. Essa categoria regulatória exige a listagem em bolsa.
O conselho concordou em avançar com a oferta pública inicial de ações, que tem o apoio do Shapoorji Pallonji Group. Segundo maior acionista, com 18,4% de participação, o grupo busca transformar sua fatia em pelo menos US$ 2,6 bilhões. Noel Tata argumenta que a pressão por resultados de curto prazo poderia comprometer a destinação de recursos para subsidiárias em crise e investimentos de longo prazo.
A capacidade do Tata Trusts de agir imediatamente está limitada por entraves internos. O órgão regulador de entidades beneficentes da Índia suspendeu as reuniões de conselheiros do Sir Ratan Tata Trust, dono de 23,6% da Tata Sons, devido a litígios sobre a nomeação de curadores.
O conglomerado faturou US$ 185 bilhões no último ano fiscal, e suas 26 companhias abertas somavam valor de mercado de US$ 277 bilhões em março de 2026. O grupo também enfrenta dificuldades operacionais na Jaguar Land Rover, investimentos em semicondutores e prejuízos anuais de US$ 2,33 bilhões na Air India Group. A assembleia geral ordinária da Tata Sons está marcada para dezembro, e especialistas jurídicos avaliam que o Tata Trusts pode recorrer aos tribunais ou tentar derrubar as medidas nessa reunião.







