Poços de Caldas, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
A próxima viagem começa aqui
Filme mineiro de Ricardo Alves Jr. disputa prêmio em San Sebastián
Cultura

Filme mineiro de Ricardo Alves Jr. disputa prêmio em San Sebastián

Longa acompanha uma professora de francês confrontada por uma seita e relaciona o terror à ascensão do reacionarismo no Brasil.

A relação entre política, religião e violência é o centro de “A Professora de Francês”, novo longa de Ricardo Alves Jr. O filme estreou no Festival Internacional de Cinema de San Sebastián e disputa o prêmio de Melhor Filme Latino-americano na seção Horizontes Latinos.

A trama acompanha Graça, interpretada por Grace Passô. Universitária, professora de francês e lésbica, ela retorna à casa onde cresceu, em um bairro de Belo Horizonte, para cuidar do pai doente. A recepção dos vizinhos parece acolhedora, mas o grupo integra uma seita. Aos poucos, a convivência muda de tom e passa a submeter a personagem a uma situação de controle e violência.

Terror próximo

Ricardo Alves Jr. define a obra como um filme de terror social. Para o diretor, a ameaça não está em uma força sobrenatural ou distante, mas pode surgir de alguém próximo, inclusive de quem se oferece para ajudar. “O mal não é sobrenatural nem um mal distante”, afirma.

Os integrantes da seita defendem que Graça volte ao papel que consideram destinado às mulheres: o de mãe. A crítica também alcança a mistura entre política, Estado e religião, apresentada pelo cineasta como uma característica da extrema direita brasileira. Segundo Ricardo, o alvo não são as crenças religiosas, mas o uso da fé como instrumento político de poder.

Relação com o Brasil

O projeto começou a ser desenvolvido em 2016, no período do impeachment de Dilma Rousseff, descrito pelo diretor como um golpe parlamentar. A partir daquele momento, ele identifica o fortalecimento de grupos reacionários no país. O filme também dialoga com o período da presidência de Jair Bolsonaro, entre 2019-2022.

Para o cineasta, a obra procura refletir sobre como sobreviver à perseguição de artistas, aos ataques aos direitos da população indígena e às ameaças aos direitos humanos. Ele espera, porém, que um dia o longa seja visto apenas como ficção e deixe de ser associado à realidade.

O elenco inclui ainda a atriz e cantora francesa Jehnny Beth, que interpreta Clara, noiva de Graça. O diretor escolheu a artista por sua experiência como performer e por sua força punk.

“A Professora de Francês” concorre com produções da Argentina, do Brasil, do Chile, da Colômbia, do México e do Paraguai. A seleção reúne onze filmes. O festival termina no sábado (26), quando será realizada a cerimônia de entrega dos prêmios. Jair Bolsonaro está preso desde 2025, após ser condenado por uma tentativa de golpe de Estado depois de perder a reeleição para Luiz Inácio Lula da Silva em 2022.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5