O novo romance de Rachel Cusk, Life of M, aproximou a ficção da vida de Natalie Portman. A personagem M é uma atriz mundialmente famosa, presença constante em campanhas publicitárias e leitora assídua. Também teve a infância afetada por um papel precoce em Hollywood e alcançou prestígio ao interpretar uma bailarina obcecada pela perfeição — elementos que leitores relacionaram à trajetória de Portman.
A atriz estreou aos 12 anos em O Profissional (1994) e ganhou o Oscar em 2011 por Cisne Negro. Outro ponto de contato é a amizade entre Portman e Cusk. No romance, porém, M aparece como uma mulher vazia, cínica e imatura, em contraste com a imagem pública projetada diante das câmeras.
Com publicação prevista no Brasil para 2027 pela editora Todavia, o livro se encaixa no chamado biogossip, termo usado para definir obras de ficção com personagens claramente inspirados em pessoas reais, sobretudo celebridades. A proposta não é a de uma biografia reveladora. Esses romances também podem expor inquietações pessoais e discutir os limites de escrever sobre quem está ao redor do autor.
Outros casos de ficção inspirada em pessoas reais
Um dos exemplos mais conhecidos é O Diabo Veste Prada, lançado em 2003 por Lauren Weisberger, que havia trabalhado na revista Vogue americana. A protagonista foi associada à editora-chefe Anna Wintour, cuja reação também envolveu o filme estrelado por Meryl Streep. Com o passar do tempo, Wintour passou a lidar com a associação de outra maneira e apoiou a continuação do longa.
Em 2018, Lisa Halliday publicou Assimetria, romance sobre uma jovem assistente envolvida com um escritor muito mais velho. A narrativa revelou o relacionamento da autora com Philip Roth: ela tinha 20 e poucos anos, enquanto ele se aproximava dos 70. Antes disso, Vita Sackville-West serviu de inspiração para Orlando (1928), de Virginia Wolf.
Portman não comentou publicamente o caso, mas amigos dizem que ela ficou furiosa. A atriz havia escolhido Segunda Casa (2021) e Desfile (2024), de Cusk, para seu clube do livro e participou de um debate com a escritora. Desde 2014, quando começou a trilogia Esboço, Cusk explora personagens comuns e os limites da representação. Em Life of M, essa investigação chega a uma celebridade sem nome definido.






