Parques aquáticos concentram 28,6% dos investimentos em novos projetos de entretenimento no Brasil, segundo dados do Sistema Integrado de Parques e Atrações Turísticas (Sindepat) e da Associação Brasileira de Parques e Atrações (Adibra). São 7,1 bilhões de reais aplicados em setenta novos projetos, dos quais vinte são aquáticos.
A expansão ocorre também fora das capitais. Chapada Park, no Mato Grosso, e Araxá AcquaPark, em Minas Gerais, estão entre os empreendimentos com abertura prevista nos próximos meses. Os projetos buscam se aproximar de famílias que vivem longe do litoral e oferecer uma estrutura que vá além das piscinas.
Água como destino de viagem
A lógica dos parques atuais atualiza uma tradição brasileira. No século XIX, cidades como Caxambu e Poços de Caldas transformaram fontes minerais em destinos de saúde e lazer, com balneários, hotéis e restaurantes ao redor das águas. Agora, piscinas de ondas, praias artificiais e toboáguas assumem o papel de principais atrações.
A localização no interior é parte da estratégia de mercado. “Existe a tendência de novos empreendimentos em regiões mais interioranas para se aproximar do público”, afirma Luciano de Oliveira, engenheiro civil e sócio da AquaPlan, responsável pelos projetos do Chapada Park e do Araxá AcquaPark.
Os complexos também tentam atender diferentes faixas etárias no mesmo passeio. Crianças podem usar piscinas infantis, adolescentes ficam nos toboáguas e adultos contam com áreas de descanso. Hotéis, resorts, restaurantes e outras atrações são incorporados para transformar o parque em destino completo, e não apenas em uma parada durante a viagem.
Novas atrações e clientes recorrentes
O modelo inclui passaportes de acesso a longo prazo. Para Suerlan Santos, COO do Acquaí Park, que será aberto na Paraíba, esse formato ajuda a dar previsibilidade à receita, aumentar a fidelização, melhorar o planejamento e reduzir os efeitos da sazonalidade.
A estratégia se apoia em exemplos já consolidados. O Thermas dos Laranjais, em Olímpia, no interior paulista, surgiu de um clube social construído sobre águas quentes do Aquífero Guarani e se tornou o parque aquático mais visitado da América Latina, com quase 2 milhões de visitantes anuais. Em Balneário Camboriú (SC), o Multiparque foi criado em 2024 e agora constrói um hotel anexo.
Os parques tradicionais também ampliam suas atrações. O Beach Park, no Ceará, investiu no Surreal, descrito por Murilo Pascoal, CEO do complexo, como a montanha-russa aquática mais alta do mundo e reconhecida pelo Guinness World Records. Já o Wet’n Wild, entre São Paulo e Campinas, prepara a Kobra.
Limites para a expansão
O crescimento exige água, energia, infraestrutura e grandes áreas para construção. Em Sorocaba, o Acqua Thermas Park anunciou um toboágua de 60 metros, mas enfrentou dificuldades no licenciamento ambiental e está com as obras paradas. A água, além de ser o centro da experiência oferecida ao visitante, é um dos pontos delicados para a operação desses empreendimentos.







