FLORIANÓPOLIS — A hotelaria de Florianópolis aumentou a diária média em 11,4% em relação a 2025, mas o volume de room nights cresceu apenas 1,5% em 2026. Ao mesmo tempo, a carteira de reservas futuras recuou 16,9% no GMV, indicador que representa o valor bruto das reservas já registradas para os próximos períodos.
Os dados analisados abrangem o intervalo entre janeiro de 2024 e junho de 2026. Embora o resultado anual mostre valorização das tarifas, a série histórica aponta um avanço limitado no prazo mais longo: a diária média foi de R$ 685 em 2024 para R$ 719 em 2025 e chegou a R$ 688 no período analisado de 2026. O patamar atual ficou 0,4% acima do registrado dois anos antes.
Florianópolis fica atrás dos recortes regional e estadual
Santa Catarina teve crescimento de 8,3% no volume de room nights e de 3,6% na tarifa média. Na região Sul, os avanços foram de 10,4% e 6,8%, respectivamente. No Brasil, os indicadores ficaram em 5,7% para o volume e 5,5% para a tarifa média.
Assim, Florianópolis apresentou uma valorização de preços mais intensa, mas teve expansão menor na demanda. A recuperação recente das tarifas em relação a 2025 ainda não representa uma alta expressiva no horizonte de dois anos.
OTAs ganham participação
As OTAs responderam por 70,5% das room nights do mercado catarinense e cresceram 3,4% no período analisado. As operadoras concentraram 15,9% das diárias, com queda de 4,5%. Já a venda direta representou 13,6% e recuou 7,4%.
O movimento aumentou a distância entre as plataformas digitais e os canais controlados pelos hotéis. A concentração pode elevar os custos de distribuição e reduzir o controle dos empreendimentos sobre o relacionamento com os hóspedes. A recuperação da venda direta é associada a campanhas exclusivas, programas de fidelidade, benefícios próprios e eficiência na jornada de reserva.
Reservas futuras têm menor valor
Em agosto, a queda do GMV chegou a 7,5%. Enquanto isso, a antecedência das reservas futuras aumentou 34,2%. O resultado indica que os viajantes estão planejando as estadias com mais prazo, mas esse comportamento não impediu a redução do valor contratado.
Os dados disponíveis não permitem definir se a retração está ligada ao volume, à tarifa ou à composição da carteira. Por isso, o acompanhamento das reservas futuras precisa considerar tanto a ocupação quanto o valor e a qualidade dos contratos.
Segmento Luxury combina alta de preço e recuo no volume
O Luxury teve a maior alta tarifária entre as categorias analisadas: 58,3%, enquanto as room nights caíram 7,8%. No Upscale, o volume recuou 2,4% e a tarifa média subiu 3,3%.
Nas categorias inferiores, o movimento foi inverso. O Economy cresceu 11% em volume e reduziu a tarifa em 2,7%. O Midscale avançou 1,4% nas reservas e teve queda de 1,3% no preço.
Sem dados de receita por categoria, não é possível determinar o impacto final da combinação entre preços maiores e menor volume. Os indicadores mostram que Florianópolis consegue elevar tarifas, mas ainda precisa equilibrar preços, demanda, canais de distribuição e geração de reservas futuras.








