A hotelaria brasileira enfrenta um índice de turnover de 38%, enquanto empresas do setor revisam a forma de encontrar, selecionar e manter profissionais. O tema foi discutido na manhã de hoje (17), durante o painel “Novas fronteiras da contratação: o que o mercado tem feito para sair do tradicional?”, do 4º Encontro de Gente Hoteleira.
A conversa reuniu Marcelo Boeger, gestor de Hospitalidade e consultor; Hubber Clemente, CEO da AFROTURISMO HUB; Nilton Camillo, gerente geral do Meliá Paulista; e Maurício Reis, gerente de Pessoas & Cultura da Accor.
Retenção e novos concorrentes
Camillo apontou a permanência dos profissionais como o principal desafio atual. Na avaliação dele, existem muitos talentos disponíveis, mas parte desse público ainda não é alcançada pelos processos tradicionais de recrutamento. No Meliá Paulista, o turnover informado foi de 4,49%.
O gerente também citou mudanças no perfil das equipes. Cerca de 20% dos funcionários do hotel têm mais de 50 anos, enquanto outros 5% têm mais de 60. A unidade ainda desenvolve treinamentos para haitianos e venezuelanos. No mesmo período, o NPS do empreendimento passou de 47% para 78% nos últimos dois anos.
Maurício Reis afirmou que a pandemia acelerou a transformação no comportamento dos profissionais em escala global. Além da hotelaria, trabalhadores passaram a considerar alternativas como Uber, atividades autônomas e atuação como influenciadores.
Recrutamento nos ambientes digitais
A Accor usa redes sociais, grupos de WhatsApp e portais para captar candidatos. Para Reis, estar nesses espaços é necessário porque as pessoas se informam, consomem conteúdo e buscam entretenimento pela internet. A empresa também procura apresentar seus benefícios e valores na página Talentos Accor, que usa o slogan “Seja quem você é”.
Clemente defendeu processos seletivos mais próximos da realidade dos candidatos. “O perfil com o qual a hotelaria está acostumada ficou ultrapassado”, afirmou. Ele também questionou se os hotéis oferecem treinamento para integrar grupos minorizados e evitar situações de discriminação.
Seleção e ambiente de trabalho
Para empreendimentos independentes, o desafio pode ser maior porque gestores acumulam funções. Clemente avaliou que o responsável pelo RH nem sempre consegue dedicar tempo à gestão de pessoas, o que dificulta a solução de problemas.
Camillo recomendou que as etapas finais de processos remotos sejam presenciais. Assim, o candidato pode conhecer o gestor e o ambiente de trabalho antes de aceitar a vaga, reduzindo a possibilidade de encontrar uma realidade diferente da esperada.
As discussões apontaram que ampliar o recrutamento envolve mais do que anunciar vagas em novos canais. A hotelaria também precisa rever o perfil buscado, comunicar benefícios e valores, preparar as equipes e apresentar com transparência as condições do ambiente profissional.








