A inteligência artificial já interfere na forma como os viajantes escolhem hospedagens. Dados da Adyen apresentados no Relatório de Hospitalidade e Viagem de 2025 mostram que 51% dos brasileiros usam a tecnologia para planejar e reservar férias.
A mudança ocorre em um cenário de desconfiança em relação às redes sociais: quatro em cada cinco viajantes dizem ter dificuldade para encontrar recomendações confiáveis diante do volume de anúncios patrocinados. Para 78%, a IA oferece inspirações mais rápidas e eficientes.
De filtros a recomendações personalizadas
Até pouco tempo, a busca por hotéis passava por buscadores, agências de viagem online e sistemas globais de distribuição. O viajante informava o destino, aplicava filtros e analisava várias páginas antes de decidir.
Em 2026, assistentes conversacionais, como ChatGPT e Copiloto, podem cruzar informações de um roteiro e apresentar três ou quatro hospedagens ajustadas ao perfil do viajante. Com isso, a hotelaria precisa disputar espaço antes mesmo de o cliente chegar a um site de reservas.
João Giaccomassi, diretor de Produtos para Hotelaria da TOTVS, afirma que a base dessa visibilidade está na organização das informações. “A resposta está em dados estruturados”, explica. Conteúdos relevantes, descrições detalhadas, referências em plataformas bem posicionadas, APIs robustas e disponibilidade em tempo real passam a influenciar a leitura que esses sistemas fazem dos empreendimentos.
Tecnologia precisa acompanhar a reserva
A recomendação, porém, é apenas uma etapa. A jornada tende a incluir comparação, consulta de disponibilidade e conclusão da compra na própria interação com o assistente. Por isso, não basta ser citado: o hotel também precisa conseguir transformar o interesse em reserva.
Para isso, sistemas de gestão, do PMS ao backoffice, devem se conectar aos canais externos de distribuição. Tarifas, inventário, disponibilidade e características da hospedagem precisam permanecer consistentes, completos e atualizados nas plataformas que participam desse processo.
Segundo Giaccomassi, a tecnologia deve conectar dados, processos e canais sem afastar a hotelaria de sua atividade principal. “O core business da hotelaria continua sendo a hospitalidade”, afirma. A estrutura digital passa a apoiar tanto a descoberta do empreendimento quanto a resposta da operação quando a recomendação se converte em intenção de compra.








