GOIÂNIA — Aliados de Flávio Bolsonaro avaliaram como desastrosa a reação do candidato à polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida. Segundo pessoas próximas, ao atribuir a integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) participação na disseminação da informação falsa, Flávio ampliou uma crise que a campanha já tentava conter.
Durante uma agenda na cidade, no domingo (27), o senador afirmou que o PT espalhou a alegação com ajuda de pessoas dentro da CNBB. Ele negou a existência de qualquer proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil e classificou o episódio como a maior fake news da campanha.
A CNBB negou envolvimento na produção ou circulação de informações falsas sobre o processo eleitoral. Em nota, a entidade afirmou que “a mentira não se combate com outra mentira” e disse que acusações sem fatos ou provas atingem injustamente a instituição.
Pessoas próximas ao candidato relataram que a menção à CNBB não fazia parte da estratégia inicial de resposta. Para esse grupo, a fala abriu uma frente de conflito com a entidade religiosa a poucos dias do primeiro turno.
Disputa judicial sobre publicações
A polêmica ganhou força nas redes sociais na noite de quinta-feira (24), após um comentário mencionar a preocupação de bispos com uma possível retirada do título de padroeira. Flávio publicou um vídeo para negar a alegação, e o canal responsável pelo comentário pediu desculpas pelo suposto erro.
Na sexta-feira (25), a defesa do senador recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para remover publicações que o associavam, ou associavam sua família, à intenção de alterar o status de Nossa Senhora Aparecida.
O ministro André Mendonça determinou a indisponibilização imediata de 1.170 links em X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube, desde que reproduzissem o conteúdo definido na decisão. Entre eles estava uma publicação de Antônio Tabet no X. Após recurso do humorista, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou a medida no domingo (27).
Na segunda-feira, Dino enviou o caso ao plenário. A equipe jurídica de Flávio também recorreu ao ministro Luiz Fux para pedir a suspensão da decisão. Aliados questionaram a tentativa de derrubar publicações como a de Tabet e disseram que o candidato “mordeu a isca”.
A campanha decidiu que Flávio participará do debate da TV Globo na quinta-feira (1º), mesmo se Luiz Inácio Lula da Silva não comparecer. O plano é defender o voto útil entre eleitores de direita, fixar o número do candidato e apresentar propostas na reta final.







