A expansão de Cachoeira Dourada foi um dos principais símbolos da estratégia de Irapuan Costa Júnior à frente das Centrais Elétricas de Goiás (CELG). Para Salatiel Soares Correia, o projeto mostrava que o administrador não via a empresa apenas como responsável por executar obras, mas como parte de um plano de desenvolvimento energético para Goiás.
A terceira etapa da usina representava o aumento da capacidade de geração e a preparação do sistema para atender ao crescimento do mercado goiano. Também criava a possibilidade de produzir excedentes que poderiam ser comercializados fora do Estado. A conclusão e a inauguração ocorreram posteriormente, quando Irapuan já era governador, mas o encaminhamento da expansão e a busca por financiamento estiveram ligados à sua passagem pela CELG.
Planejamento além das obras
Entre 1971 e 1973, Irapuan fortaleceu a estrutura técnica da companhia e valorizou engenheiros, técnicos e profissionais especializados. Planejamento, engenharia, financiamento e expansão do sistema passaram a ser tratados dentro de uma mesma visão administrativa.
Diante das dificuldades para obter recursos pelos caminhos convencionais, ele procurou alternativas, inclusive no mercado financeiro internacional. A CELG também buscou capital no mercado de capitais e colocou ações na Bolsa de Valores de São Paulo.
A mesma concepção apareceu no Plano de Eletrificação do Vale do Araguaia, que ganhou materialização posterior, durante o governo de Irapuan. A proposta associava energia à integração econômica do território, à produção, aos investimentos e ao crescimento das cidades.
Uma marca institucional
Ao fim de sua gestão, a CELG havia alcançado reconhecimento além de Goiás. Registros e depoimentos daquele período chegaram a apontar a companhia como a sexta entre cerca de sessenta e quatro empresas do setor elétrico nacional.
Salatiel ressalta que a história da empresa não foi construída por uma única pessoa. Otto Nascimento e Joaquim Guedes de Amorim Coelho também tiveram contribuições importantes. Ainda assim, ele considera Irapuan o mais importante presidente da história das Centrais Elétricas de Goiás.
A avaliação se baseia na capacidade de combinar engenharia, planejamento, administração e visão política. Depois da CELG, Irapuan foi governador de Goiás, senador da República e exerceu outras funções públicas. Para Salatiel, sua trajetória já revelava na companhia a capacidade de transformar conhecimento técnico em projeto de desenvolvimento.
A conclusão do autor é que a importância de Irapuan não está apenas nas obras realizadas durante aproximadamente dois anos de presidência, mas no rumo que ele imprimiu à empresa.







