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Quadrilhas transformam celulares roubados em acesso a contas e dados no Brasil
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Quadrilhas transformam celulares roubados em acesso a contas e dados no Brasil

Esquemas criminosos usam aparelhos roubados para transferências, compras online, revenda e retirada de peças, segundo autoridades e o FBSP.

Uma operação recente em São Paulo identificou quatro núcleos criminosos envolvidos no roubo de celulares, de acordo com Luiz Fernando Bugiga, promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O esquema inclui a subtração dos aparelhos, transferências bancárias, alterações técnicas, venda de peças e comercialização dos dispositivos.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) afirma que o interesse das quadrilhas deixou de se concentrar no celular e passou aos dados armazenados nos aparelhos. O relatório anual da entidade aponta 830 mil celulares registrados como roubados em 2025, com base em dados oficiais. Uma pesquisa publicada em maio estimou que cerca de 14 milhões de pessoas foram vítimas desse crime nos 12 meses anteriores no Brasil.

Contas, compras e prejuízos

Eduardo Metzker, programador de 29 anos, foi cercado por duas motocicletas enquanto andava de moto no Rio de Janeiro. Um dos assaltantes apontou uma arma para a cabeça dele e exigiu o celular e a senha. Nas horas seguintes, os criminosos retiraram até 80 mil reais de seus aplicativos bancários, principalmente por meio do crédito, enquanto ele tentava bloquear as contas.

“Como é cartão de crédito, nem era um dinheiro meu. Então, fiquei devendo”, disse Metzker.

Caroline Lo Bianco, dentista de 36 anos, teve o celular arrancado das mãos pela janela de um Uber quando estava grávida de sete meses, no Rio. Depois de bloquear os cartões, ela ainda teve quase 700 dólares (3.650 reais, na cotação atual) transferidos de uma conta de banco digital. Os ladrões também compraram online um console de videogame de 1.000 dólares (5.213 reais), mas a compra foi bloqueada antes da entrega.

O grupo chegou a enviar cerveja, carne e McDonald’s para diferentes endereços no Rio de Janeiro. Para Bugiga, o crime produz perdas em várias frentes: “O roubo do celular, ao contrário de algumas outras formas de roubo cotidiana, como aliança, ouro, tem várias frentes de prejuízo para a vítima e, portanto, de lucro para o criminoso”.

Medo e adaptação

O FBSP estima que 30% dos brasileiros — cerca de 65 milhões de pessoas — adotaram o chamado “celular do ladrão”, aparelho usado para sair de casa enquanto outro, com os aplicativos bancários, permanece guardado.

Metzker passou a manter dois telefones: um para usar na rua e outro em casa. Joel da Silva, porteiro de 42 anos em Ipanema, ficou um mês sem celular após um assalto à mão armada e comprou outro em quatro prestações. Ele relatou ter presenciado quatro roubos de celulares no edifício onde trabalha há sete meses.

Às vésperas das eleições presidenciais de 4 de outubro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) prometeram medidas para enfrentar o problema. Bolsonaro falou em quadruplicar as penas, enquanto Lula apresentou como meta “o roubo do telefone zero”.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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