BARCELOS — A entrevista com Tatunca Nara terminou com a equipe de “Morte e Mistério na Amazônia” deixando a cidade durante a madrugada. Os diretores Tatiana Issa e Guto Barra haviam acabado de questionar o guia de expedições sobre contradições relacionadas a relatos de desaparecimentos e à suposta cidade perdida de Akakor.
Tatiana afirma que os integrantes receberam avisos para sair imediatamente, sem esperar o amanhecer. “Não era daqui a pouco, não era daqui a uma hora”, disse a diretora. A equipe correu para o barco e deixou Barcelos, no Alto Rio Negro.
Segundo Tatiana, pessoas locais fizeram ameaças durante o episódio. “Tivemos que sair correndo de madrugada, às pressas”, afirmou. O caso se tornou um dos momentos mais tensos da produção da HBO Max, dirigida pela dupla responsável por “Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez”.
O confronto com Tatunca Nara
A conversa foi marcada pela tentativa de pressionar Tatunca sobre versões acumuladas ao longo dos anos. A entrevista só aconteceu quando a investigação da série já estava avançada e a maior parte dos depoimentos havia sido gravada, de acordo com Tatiana.
A diretora diz que a equipe queria evitar que o projeto repetisse o tratamento fantástico dado anteriormente à história de Akakor. Para ela, esse tipo de abordagem acabava dando credibilidade à possível existência da cidade perdida. A proposta da série era investigar o que havia de verdade e de mentira nos relatos.
Akakor ganhou fama entre aventureiros estrangeiros nas décadas de 1970 e 1980. A promessa de encontrar uma civilização escondida na floresta levou diferentes pessoas à Amazônia, e algumas delas nunca voltaram. Tatunca ficou associado a relatos sobre a região e a uma sucessão de desaparecimentos.
Guto conheceu o caso há cerca de oito anos, quando Tatiana apresentou a história a ele. O diretor afirma que a trama permaneceu em sua memória por causa dos detalhes e das reviravoltas.
Gravações no Rio Negro
A produção filmou em locais relacionados à história e refez parte das expedições. A equipe navegou pelo Rio Negro, dormiu em redes e transportou câmeras, equipamentos de luz e outros materiais por áreas de acesso difícil.
A floresta também foi incorporada à narrativa. Uma igreja abandonada serviu de cenário para uma dramatização sobre a suposta ligação de Tatunca com militares. A intenção era aproximar o público das condições enfrentadas pelos aventureiros que percorreram a região décadas antes.
A série não segue uma ordem cronológica tradicional. Guto explica que a história envolve muitos detalhes, diferentes países e várias famílias, e que a estrutura escolhida ajuda a preservar a dimensão humana dos casos.
Uma das famílias passou nove anos sem saber onde estava um parente e sem ter conhecimento de uma possível ligação dele com outros desaparecimentos. A produção busca manter a atenção nas vítimas e no sofrimento dos familiares, além da lenda de Akakor. A equipe afirma que a lembrança e o não esquecimento podem representar uma forma de reparação.







