O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, tentou falar com Daniel Vorcaro nos quatro dias anteriores à prisão do banqueiro, dono do Banco Master. O histórico extraído pela Polícia Federal do celular de Vorcaro registra chamadas sem resposta e pedidos para que ele retornasse o contato.
Em 13 de novembro, Flávio escreveu: “Fala mermao! Bom dia! Pode atender?”. Vorcaro respondeu que ligaria em meia hora, mas não aparece uma chamada posterior na conversa. No dia seguinte, o senador fez uma ligação de voz às 12h36, que também não foi atendida.
A comunicação continuou em 15 de novembro. Vorcaro explicou a ausência com a mensagem “Tava trânsito voo o tem”, e Flávio voltou a perguntar se ele poderia falar. No dia 16, houve outra chamada perdida. O banqueiro disse que estava na igreja e que telefonaria mais tarde.
Ainda em 16 de novembro, às 15h46, Flávio enviou uma nova mensagem: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. S6 preciso que me dê uma luz! Abs”. Vorcaro foi preso no fim da tarde seguinte, no Aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para o exterior.
Conversas sobre filme de Jair Bolsonaro
As mensagens acessadas pela PF abrangem três meses, já que os registros mais antigos tinham sido apagados. O contato entre os dois começou em dezembro de 2024. Nas conversas, Flávio cobrou valores para financiar “Dark Horse”, produção sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em 8 de setembro de 2025, o senador enviou um áudio e afirmou que precisava de uma definição para evitar prejuízos ao filme. Vorcaro respondeu que providenciaria os pagamentos e escreveu: “Eu vou resolver amanha”. Em seguida, os dois conversaram por WhatsApp durante 2 minutos e 38 segundos, mas o conteúdo da ligação não foi recuperado.
Pouco mais de cinco meses depois de analisar a negociação entre o Banco Master e o Banco Regional de Brasília, o Banco Central rejeitou a operação. Nesse período, já eram públicas investigações sobre crimes relacionados à gestão do Banco Master e a pressão para que a instituição fosse liquidada.
Anotações encontradas no celular de Vorcaro indicaram que ele sabia da possibilidade de uma ação policial e avaliava deixar o país. Em 15 de novembro, ele perguntou ao ministro Alexandre de Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”.







