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Quando o gasto público deixa de ser investimento e vira desperdício
Brasil

Quando o gasto público deixa de ser investimento e vira desperdício

Projetos com custos elevados e retorno questionável ajudam a mostrar os riscos de ampliar despesas sem avaliar sua eficácia econômica.

A qualidade do gasto público é o ponto central para avaliar se uma despesa contribui para o crescimento ou apenas aumenta a pressão sobre as contas do governo. Investimentos públicos precisam contar com poupança para serem sustentados, apresentar risco compatível com o retorno esperado e gerar resultado superior ao custo do capital.

Quando essas condições não são atendidas, o desembolso deixa de representar investimento e passa a indicar desperdício, mesmo que seja apresentado como parte de uma estratégia de desenvolvimento. A experiência brasileira recente reúne exemplos desse tipo, como os empreendimentos nucleares de Angra e a refinaria Abreu e Lima.

Esses projetos foram associados a custos elevados, atrasos e retornos econômicos questionáveis. Em vez de produzir crescimento na proporção esperada, contribuíram para ampliar o endividamento público e pressionar as contas fiscais.

Produção, demanda e crescimento

A Lei de Say, formulada pelo economista francês Jean-Baptiste Say, defende que a oferta cria sua própria demanda. A produção de bens e serviços gera salários e lucros, que permitem a aquisição de outros produtos. Nessa visão, uma crise generalizada causada pela falta de demanda não seria esperada.

Essa formulação é diferente da defesa de um aumento contínuo das despesas públicas como motor da economia. Nesse caso, a expansão da demanda pode ocorrer sem que exista produção eficiente ou que o gasto tenha qualidade suficiente para gerar retorno.

Os indicadores econômicos ajudam a ilustrar o problema. O gasto público cresceu significativamente nas últimas décadas, enquanto o desempenho do PIB per capita brasileiro permaneceu modesto em comparação com o de outras economias emergentes.

Mesmo assim, continua presente no discurso político a ideia de que ampliar despesas seria uma solução universal. O incentivo eleitoral à expansão do gasto nem sempre coincide com a responsabilidade necessária para administrar recursos escassos. As contas públicas têm limites, e eles acabam se impondo.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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