RIO DE JANEIRO — O novo cônsul-geral da Noruega no Rio de Janeiro, Trond Gabrielsen, avalia que há espaço para aumentar os negócios com o Brasil, especialmente em energia, indústria offshore e transição energética. Ele assumiu o cargo em agosto, substituindo Mette Tangen, que ficou três anos na função desde setembro de 2023.
Em um encontro com jornalistas no Rio, Gabrielsen classificou o Brasil como um mercado de longo prazo para companhias norueguesas. O cônsul informou que aproximadamente 300 empresas do país atuam no mercado brasileiro e geram cerca de 120 mil empregos diretos e indiretos. O volume acumulado de investimentos noruegueses chega a quase US$ 14 bilhões e mais que dobrou na última década. Além disso, cerca de 52% das empresas consultadas pretendem aumentar suas equipes no Brasil.
A ampliação das trocas comerciais pode ser favorecida pelo acordo de livre comércio entre Mercosul e EFTA, grupo que reúne Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein. O tratado foi assinado em 2025 e deve começar a valer em novembro deste ano. A previsão é que mais de 97% das exportações dos países tenham acesso facilitado aos mercados. Para os noruegueses, o salmão terá a tarifa reduzida de 10% para zero.
Brasil e Noruega também abriram, em agosto, uma chamada conjunta para iniciativas de pesquisa em energia, petróleo offshore e transporte marítimo de menor emissão. A participação brasileira poderá contar com até R$ 15 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
Petróleo, gás e fontes renováveis
Mais de 80 empresas norueguesas trabalham no setor brasileiro de petróleo e gás. Um dos projetos de destaque é o campo de Bacalhau, operado pela Equinor, que tem investimentos estimados em US$ 8 bilhões e produção de cerca de 220 mil barris de petróleo por dia. Já o projeto de gás Raia prevê US$ 9 bilhões em investimentos e poderá atender até 15% da demanda brasileira a partir de 2028.
No segmento de energia renovável, empresas norueguesas aplicaram mais de US$ 1,8 bilhão em projetos no Brasil desde 2023. Gabrielsen afirmou que a estratégia combina a presença em petróleo e gás com aportes em fontes de menor emissão. “O Brasil é um dos principais destinos dos investimentos noruegueses”, disse.







