GOIÁS — A chegada de novos estudantes marca uma das discussões centrais dos 60 anos do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Goiás (UFG). Gabriel Dias, Elias de Lima, João Pedro Onofre, Lara Geovana Ramos e Sammuel Conce representam a turma que ingressa em 2026, com interesses em cultura, política, rádio e televisão.
Lara, que veio de Mozarlândia, vê na profissão uma forma de ampliar o acesso à informação. Gabriel se interessa pela possibilidade de transformar assuntos complexos em conteúdos compreensíveis. João Pedro destaca o papel de tornar audíveis as diferentes vozes da sociedade, enquanto Elias relata que decidiu seguir a carreira ao observar, desde criança, profissionais contando histórias na televisão. Sammuel, por sua vez, descreve a reação da família, ligada ao agronegócio, quando escolheu uma área diferente de Direito e Medicina.
Formação para um jornalismo em transformação
O curso é o mais antigo de Jornalismo em Goiás. A estruturação começou em 1966, e o primeiro vestibular foi realizado em 1968, depois de um período dedicado à criação do currículo, à busca por recursos e à contratação de professores. Solange Franco, coordenadora da graduação e formada em 1985, acompanha essa trajetória.
Até o início dos anos 2000, a formação era concentrada principalmente no jornalismo impresso. Rádio e televisão eram estudados em formações separadas. Em 2004, o curso de Rádio foi extinto, e a graduação em Jornalismo passou a reunir uma preparação mais ampla, voltada a diferentes mídias.
Rosana Maria Borges, formada em Radialismo em 1997, foi a primeira diretora da TV UFG. Ela relata que a implantação do canal envolveu dificuldades de infraestrutura e burocracia, além de restrições legais relacionadas à operação de rádio e televisão por uma autarquia federal.
Memória profissional e novos obstáculos
A história da graduação inclui o período da ditadura militar, a censura, a Constituinte, o fim da exigência do diploma em 2009 e as mudanças provocadas pela pandemia. Para Solange, as limitações daquele período também estimularam a disposição dos estudantes e profissionais para produzir reportagens, apresentar denúncias e defender a expressão de ideias.
O professor aposentado Nilton José dos Reis, conhecido como Niltin e integrante da terceira turma, identifica semelhanças entre as dificuldades enfrentadas no início de sua carreira e os problemas atuais. A relação entre jornalismo e democracia também aparece em sua reflexão sobre o papel social da profissão.
A presença feminina nas redações cresceu, mas a coordenadora afirma que a discriminação permanece. Segundo Solange, mulheres ainda enfrentam questionamentos sobre conhecimento e credibilidade, mesmo com o aumento de sua participação no jornalismo.
A exigência formal do diploma mudou, mas as professoras avaliam que a formação continua sendo procurada pelos veículos e pelos estudantes. Rosana considera o jornalismo uma ferramenta de combate à desinformação, enquanto Ângela Teixeira aponta que a digitalização ampliou a circulação de conteúdos produzidos por pessoas que não são jornalistas e que não seguem necessariamente o compromisso ético da profissão.
O que vem pela frente
Para Rosana, o jornalista precisará se preparar tecnicamente, criticamente e teoricamente. Ângela recomenda que os estudantes mantenham o foco nos estudos e não confundam a visibilidade das redes sociais com preparo profissional. Na avaliação dela, o diferencial da área está no modo responsável de construir e oferecer informação à sociedade.
A graduação, que completa 60 anos nesta quarta-feira, 30, segue ligada à formação de profissionais para um cenário marcado pela digitalização e pela inteligência artificial. Nilton afirma que o futuro exigirá jornalistas capazes de compreender e explicar contradições profundas da sociedade.







