RIO DE JANEIRO — A produção brasileira de celulose chegou a 22,2 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 12,7% em relação ao ano anterior. O país mantém, desde 2022, a posição de maior produtor e exportador mundial do produto, à frente do Canadá.
O resultado está ligado à silvicultura, atividade realizada em áreas plantadas. Em 2025, essas florestas ocupavam 10,4 milhões de hectares, área equivalente a 104 mil km². O eucalipto representava 78,6% desse total e é usado principalmente pela indústria de celulose, matéria-prima para a fabricação de papel.
Minas concentra a silvicultura
Minas Gerais foi o estado com maior valor de produção da silvicultura: R$ 9,2 bilhões, o equivalente a 22,5% do total brasileiro. O estado também respondeu por 84,6% do volume nacional de carvão vegetal.
No conjunto do país, a produção florestal movimentou R$ 47,9 bilhões em 2025, alta de 6,7% na comparação com o ano anterior. O valor reúne a silvicultura e a extração vegetal, feita em áreas originalmente naturais. As cifras são correntes e não descontam a inflação do período.
A silvicultura somou R$ 41 bilhões, avanço de 8,6% entre 2024 e 2025. Já a extração vegetal ficou em R$ 6,9 bilhões, recuo de 3,1%. Desde 2019, o valor econômico das áreas plantadas cresceu 165%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que relaciona o avanço a melhorias tecnológicas.
Mercado internacional
Apesar do aumento no volume produzido, a receita das exportações de celulose recuou 3,9% em um ano e ficou em US$ 10,2 bilhões. O IBGE atribui a queda dos preços ao excesso de oferta global, à desaceleração do consumo chinês, ao aumento dos estoques e à valorização do real.
A celulose foi o oitavo produto mais exportado pelo Brasil em 2025. Petróleo, soja e minério de ferro ocuparam as três primeiras posições.
A atividade florestal esteve presente em 4.889 municípios. Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul, registrou R$ 1,8 bilhão em produção florestal no ano passado, alta de 216,3% sobre 2024. A cidade abriga fábricas de celulose da Suzano e da Eldorado.
Entre os produtos alimentícios da extração vegetal, o valor chegou a R$ 2,2 bilhões. O açaí respondeu por metade desse montante, com 251 mil toneladas, e 66,7% da produção ficou no Pará. A erva-mate somou R$ 562,3 milhões; 88,4% do produto extraído veio do Paraná.







