O ex-presidente da Apex Partners, Fernando Cinelli, questionou na Justiça, nesta terça-feira, a contratação de José Carlos Stein Júnior como representante legal do grupo. O advogado é marido da conselheira Simone Chieppe Moura.
Na manifestação, os advogados de Cinelli pediram esclarecimentos sobre as circunstâncias da contratação e sobre uma eventual participação de Simone em deliberações relacionadas ao escritório Stein & Associados. Eles também solicitaram informações sobre uma possível declaração de conflito de interesses.
A defesa afirmou que o vínculo exige transparência e pode alcançar atos praticados por um conselho do qual Simone fez parte. A petição ressalvou, porém, que a relação não impede, por si só, o exercício da advocacia.
Recuperação judicial
A Apex informou que o contrato com o escritório foi assinado em 2018 pelo próprio Cinelli. A gestora declarou que manteve os serviços por causa do histórico de êxito em demandas judiciais envolvendo a empresa e da experiência considerada necessária para o assessoramento jurídico do caso.
A disputa ocorre durante a crise financeira do grupo. Em agosto, a Apex informou ter encontrado “inconsistências financeiras” nos números e afastou Cinelli da presidência. Desde então, os dois lados passaram a travar um embate.
No último dia 14, a gestora protocolou um pedido de recuperação judicial na Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória (ES). O passivo informado foi de R$ 985,6 milhões.
Uma manifestação técnica apresentada no último dia 22 pela Laspro Consultores, perícia escolhida para o processo, concluiu que nenhuma das 148 sociedades incluídas no polo ativo havia apresentado todos os documentos necessários ao processamento da recuperação judicial.
Na noite do dia 23, o juiz Marcos Pereira Sanches determinou que a Apex entregasse os documentos pendentes em até dez dias, contados daquela data. O descumprimento poderia levar à extinção do processo de reestruturação.
Cinelli também contestou o pedido de recuperação judicial e solicitou o adiamento do processo, alegando “falhas societárias e documentais”. A Apex afirmou que a solicitação de informações adicionais pela perícia seria natural em processos desse tipo.







