Eventos climáticos extremos associados ao El Niño podem comprometer o transporte e o armazenamento de medicamentos que dependem de temperatura controlada. Chuvas intensas, alagamentos, deslizamentos, bloqueios de estradas e interrupções em aeroportos aumentam o tempo de deslocamento e ameaçam a conservação de produtos termolábeis, como vacinas, insulinas, canetas emagrecedoras e medicamentos biológicos.
Esses produtos podem precisar ser mantidos entre 2°C e 8°C. Há também medicamentos que exigem temperaturas de 15°C, além daqueles que devem permanecer congelados. O risco aparece quando a viagem se prolonga além do período de conservação assegurado pelas embalagens térmicas.
Liana Montemor, farmacêutica e diretora técnica do Grupo Polar, afirma que uma embalagem qualificada para 48 horas pode deixar de ser suficiente se uma estrada for interditada ou um aeroporto parar de operar. A exposição do produto a uma condição diferente da prevista em seu registro é chamada de excursão de temperatura e pode afetar a eficácia e a segurança do medicamento.
Medidas para reduzir perdas
A prevenção começa com a avaliação das rotas, a qualificação dos fornecedores e a criação de planos alternativos. Também é recomendado usar embalagens térmicas qualificadas para períodos superiores ao tempo habitual de entrega e acompanhar, em tempo real, a temperatura, a umidade e a localização da carga.
Na TG Transportes, que trabalha com cargas termolábeis, vacinas e insumos laboratoriais, as condições do transporte são acompanhadas permanentemente com apoio das responsáveis técnicas da área farmacêutica. A proteção térmica pode ser reforçada conforme o trajeto, com camadas adicionais em embalagens de isopor e cobertura externa de papelão.
Os caminhões contam com equipamentos de climatização preparados para continuar funcionando durante retenções prolongadas nas estradas. As informações do veículo e da carga são armazenadas em nuvem, permitindo acompanhar o percurso desde a saída da indústria até a entrega.
Energia e armazenamento
O risco também existe em câmaras frias e geladeiras usadas por transportadoras, hospitais, clínicas, postos de vacinação, indústrias e farmácias. Quedas de energia podem interromper a refrigeração e comprometer os medicamentos.
Esses equipamentos precisam ser qualificados para indicar por quanto tempo mantêm a temperatura durante uma interrupção. O monitoramento em tempo real ajuda a identificar o problema e transferir os produtos para outro equipamento antes de perdas. A orientação também deve chegar ao consumidor, responsável por transportar e armazenar corretamente medicamentos termossensíveis após a compra ou retirada em unidades de saúde.







