A mudança no mercado de apostas pode abrir espaço para novos patrocinadores no futebol brasileiro. João Adibe Marques, CEO da farmacêutica Cimed, afirmou nas redes sociais que a proibição representa “a nossa chance” de a empresa realizar o sonho de patrocinar todos os clubes do Brasil.
A perspectiva surge enquanto os times se preparam para perder uma fonte importante de recursos. De acordo com o economista Cesar Grafietti, consultor de gestão e finanças do esporte, o dinheiro ligado diretamente às bets corresponde a quase 10% do faturamento recorrente total dos clubes. O impacto também alcança anúncios nos estádios e cotas de transmissão, que passaram a ser financiados em grande parte pelas casas de apostas.
Pressão sobre o caixa
A medida provisória assinada pelo presidente na última sexta-feira (25) proíbe a operação das bets no Brasil. O texto impede novos aportes de apostadores e determina que sites e aplicativos deixem de funcionar no país a partir de 6 de outubro.
Como a norma tem validade imediata, mas ainda precisa ser validada pelo Congresso Nacional, clubes e empresas de apostas prometem atuar para derrubá-la ou modificá-la. Companhias do setor também acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que não havia urgência para a edição da medida provisória.
O Flamengo entrou no STF na terça-feira (29) para reforçar o processo contra a decisão. O presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, disse que os efeitos diretos e indiretos podem chegar a R$400 milhões em 2027. Na petição, a equipe afirmou que terá “prejuízo certo, imediato, quantificado e irreversível” e pediu uma decisão em no máximo uma semana.
Ajustes e novas parcerias
Para Grafietti, a perda exigirá redução de investimentos e novas negociações comerciais, feitas em uma posição de maior fragilidade. Entre os possíveis efeitos estão a venda de jogadores, a renovação de contratos com salários menores e a diminuição dos valores destinados a contratações. O economista espera uma recuperação financeira no médio prazo, com redução de custos e recomposição parcial das receitas por meio de parcerias com outras empresas.
Uma fonte de um dos ministérios envolvidos informou que medidas de apoio, como uma eventual linha de crédito subsidiada, só serão avaliadas depois de uma reunião com os clubes. O encontro, convocado para terça-feira (29), foi adiado e ainda não tem nova data.
Federações estaduais de futebol, incluindo as de São Paulo e do Rio de Janeiro, manifestaram “enorme preocupação” com a proibição e disseram que ela poderia levar clubes à insolvência. Bernardo Cavalcanti Freire, consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), afirmou que a decisão foi abrupta e sem prazo de adaptação.
Além dos patrocínios, parte da tributação das bets é destinada obrigatoriamente a áreas específicas, entre elas o Ministério do Esporte e comitês esportivos. Segundo o Escritório Nacional de Rateio, cerca de R$174 milhões foram previstos para o futebol entre janeiro e julho deste ano.







