A economia brasileira enfrenta pressão simultânea sobre as contas públicas, as empresas e as famílias. O endividamento elevado aparece na dívida bruta do governo, na inadimplência de pessoas físicas e no número de companhias com débitos atrasados.
A dívida bruta do governo chegou a 81,93% do PIB em junho. Entre as pessoas físicas, a inadimplência alcançou 7,8%, o maior nível da série histórica iniciada em 2011. No setor empresarial, 9,1 milhões de companhias estavam inadimplentes, com R$ 232,9 bilhões em dívidas atrasadas.
Esse cenário afeta o acesso ao crédito e o custo para financiar compras, manter o orçamento doméstico e investir. Para as empresas, juros altos e dificuldades para obter recursos podem adiar investimentos. Nas famílias, a pressão aparece no uso do cartão de crédito, nos empréstimos e nas despesas do dia a dia.
Empresas buscam custos menores
O ambiente de produção também tem levado empresas brasileiras a procurar alternativas no Paraguai. O país vizinho atrai indústrias com impostos menores, energia mais barata e custos de produção mais competitivos. Mais de 200 empresas brasileiras teriam se instalado no Paraguai nas últimas duas décadas.
A Lupo anunciou uma fábrica no país com estimativa de custos de produção pelo menos 28% menores. O movimento ocorre apesar das limitações paraguaias em mão de obra qualificada e logística.
Quando governo, empresas e famílias estão endividados ao mesmo tempo, o consumo e os investimentos podem ser contidos, enquanto aumentam as dificuldades para financiar as despesas públicas. O desafio para o próximo presidente será lidar com contas públicas pressionadas, famílias endividadas, empresas com dívidas e investimentos em busca de ambientes mais competitivos.
A agenda inclui controlar gastos, melhorar o ambiente para quem produz e recuperar a confiança na economia. O texto também questiona se um eventual novo governo de Lula conseguirá equilibrar as contas, ampliar a competitividade do Brasil e manter empresas no país.







