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Eleitor projeta melhora econômica apesar de alertas para 2027
Câmbio e custos

Eleitor projeta melhora econômica apesar de alertas para 2027

Pesquisas mostram otimismo com a economia e as finanças pessoais, enquanto economistas preveem inflação, déficit e ajuste fiscal.

Pesquisas recentes mostram que o eleitor brasileiro espera uma melhora da economia nos próximos meses, apesar das projeções negativas feitas por economistas para 2027. O cenário descrito no mercado inclui inflação acima da meta, aumento do déficit público, menor crescimento, impacto do El Niño na produção de grãos e ambiente externo adverso.

Levantamento BTG/Nexus divulgado na segunda-feira (21) aponta que 41% dos entrevistados esperam uma melhora muito grande ou alguma melhora na economia durante os próximos seis meses. A parcela que prevê piora é 16 pontos percentuais menor.

O otimismo aparece com mais força entre eleitores próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No Nordeste, chega a 51%. Também supera a média entre mulheres, pessoas com ensino fundamental e trabalhadores informais.

Otimismo também aparece entre eleitores bolsonaristas

A expectativa positiva, porém, não se limita às áreas eleitorais de Lula. Entre os evangélicos, 40% apostam em uma melhora no início do próximo ano, enquanto 29% esperam deterioração. No Sul, há quase empate, mas a avaliação favorável fica à frente: 34% contra 33%.

Entre eleitores com ensino superior, 35% esperam melhora, ante 30% que projetam piora. De acordo com os dados apresentados, nenhum dos grupos analisados tem maioria pessimista.

Pesquisa Datafolha realizada na semana passada indica que a percepção favorável também alcança a vida financeira individual. Para 43% dos entrevistados, a própria situação econômica é boa ou ótima. Outros 12% a classificam como ruim ou péssima. Além disso, 51% afirmam que a renda é suficiente ou mais do que suficiente para pagar as despesas do mês.

Expectativas podem colidir com o ajuste

O contraste está entre as previsões dos especialistas para a macroeconomia e a experiência cotidiana dos eleitores. Economistas esperam um período de aperto, independentemente de Luiz Inácio Lula da Silva conquistar um novo mandato ou de Flávio Bolsonaro (PL) vencer a disputa presidencial. Já os eleitores absorvem as promessas de uma administração sem perdas sociais ou custos relevantes.

O próximo governo deverá enfrentar a necessidade de um ajuste fiscal. Uma eventual redução dos juros dependeria de sinais como uma nova reforma da Previdência ou a revisão de despesas obrigatórias. Os candidatos, no entanto, não apresentam ao eleitor as medidas que ele não quer ouvir.

A reação popular a um ajuste depois da eleição tende a ser negativa e pode alimentar a sensação de estelionato eleitoral. O descompasso entre promessas de campanha e correções econômicas já ocorreu em outros momentos da história brasileira.

Em 1986, seis dias depois da vitória do PMDB nas eleições para o Legislativo e os governos estaduais, José Sarney anunciou o Plano Cruzado II. A iniciativa incluiu mudanças em tarifas, impostos, preços e no cálculo da inflação.

Em 1989, Fernando Collor foi eleito presidente após acusar Lula de defender o bloqueio de ativos financeiros. Ao assumir, em 15 de março do ano seguinte, determinou a retenção de depósitos e aplicações em contas correntes por 18 meses.

Fernando Henrique Cardoso venceu a reeleição em 1998 com a promessa de preservar a estabilidade da moeda. Quinze dias depois do início do segundo mandato, o real foi desvalorizado. A inflação de 1999 terminou em 8,9%, quatro vezes o índice do ano anterior, e a taxa básica de juros chegou a 45% em março.

Em 2014, Dilma Rousseff foi reeleita depois de afirmar que Marina Silva e Aécio Neves colocariam em risco avanços econômicos das classes mais pobres com uma política de ajuste. Depois da posse, escolheu um ministro da Fazenda ortodoxo, que anunciou reonerações tributárias, aumento de tarifas e cortes em programas sociais.

Nos episódios citados, os governos sofreram forte desgaste de opinião pública, especialmente nos casos de Collor e Dilma. Em todos eles, o ajuste posterior à eleição foi considerado inevitável. Para 2026, porém, a campanha presidencial é descrita como anormalmente vazia de propostas e promessas, o que pode reduzir a percepção de estelionato eleitoral no próximo ano.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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