Mais de 96% das empresas não financeiras informaram ao Banco Central que utilizam inteligência artificial em algum nível nos processos internos. Os dados fazem parte da Pesquisa Firmus, divulgada nesta segunda-feira (28).
Entre as empresas que adotam a tecnologia, 36,7% relataram uso experimental ou em iniciativas informais e não estruturadas. Em outros 34%, a inteligência artificial é utilizada de forma estruturada e recorrente, mas apenas em atividades-meio. Já 20,1% disseram que esse uso alcança as atividades-fim do negócio. Para 5,5%, a tecnologia está disseminada e integrada à maior parte dos processos.
Do total de respondentes, 3,7% afirmaram não usar inteligência artificial. Nesse grupo, 1,1% não têm planos de adoção no curto prazo, enquanto 2,6% pretendem introduzir a tecnologia nesse período.
Principais aplicações
A geração e a análise de textos foram citadas por 84,4% das empresas. Mais de 80% informaram usar a ferramenta para análise, classificação e previsão com base em dados. A geração de imagens e vídeos apareceu em 50,4% das respostas, e a geração e revisão de códigos de programação, em 49,3%.
Também foram mencionados transcrição e geração de voz (31,9%), reconhecimento e análise de imagens (31,7%) e robótica e equipamentos autônomos em processos físicos (16,1%).
Impacto na produção e expectativas econômicas
Sobre o volume de produção, 63,9% disseram ainda não ter estimativa de impacto. Outros 14% registraram aumento maior que 1% a 5%, enquanto 7,7% apontaram efeito superior a 5% e 7,4% relataram impacto entre -1% e +1%.
Em relação ao custo de produção, 63,9% também não tinham estimativa. Para 12,4%, o efeito ficou entre -1% e +1%; para 7,1%, foi maior que 1% e até 5%.
Segundo o Banco Central, a pesquisa é trimestral e busca captar a percepção de empresas não financeiras sobre seus negócios e as variáveis econômicas que influenciam suas decisões. O levantamento ouviu 379 empresas no terceiro trimestre de 2026, com coleta entre 10 e 28 de agosto.
A mediana das estimativas para o IPCA de 2026 ficou em 5%. Para 2027, subiu de 4% para 4,5%. As empresas esperam inflação de 4% em 2026. A projeção de crescimento do PIB passou de 1,8% para 1,9% em 2026 e recuou de 1,8% para 1,5% em 2027.






