A investigação sobre suspeitas de fraudes financeiras atribuídas ao Banco Master incluiu o depoimento de quatro nomes ligados ao Banco Central e ao BTG Pactual. Gabriel Galípolo, atual presidente do BC, Roberto Campos Neto, ex-presidente da instituição, Ailton Aquino, diretor de fiscalização, e André Esteves, dono do BTG, foram intimados pela Polícia Federal como testemunhas.
Os depoimentos ainda não têm data marcada e deverão ocorrer por videoconferência. Nessa condição, os convocados têm o dever de dizer a verdade. O grupo recebeu as notificações no início de agosto.
Servidores do Banco Central
As intimações fazem parte do inquérito que apura a suspeita de que Daniel Vorcaro teria cooptado Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza. Os dois são, respectivamente, ex-chefe e ex-chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central.
Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza foram alvos da terceira fase da Operação Compliance Zero e afastados das funções por determinação do Supremo Tribunal Federal. A Polícia Federal suspeita que eles recebessem propina de Vorcaro em troca de informações internas sobre a fiscalização do Banco Master. Também investiga a prestação de uma assessoria informal ao banqueiro para sua defesa dentro do Banco Central.
Os dois ex-servidores negam favorecimento indevido ou participação em irregularidades.
Menções ao BTG Pactual
André Esteves teria sido chamado depois de ser citado no depoimento de Paulo Sérgio Neves. O ex-funcionário do Banco Central afirmou aos investigadores que o BTG Pactual teria identificado uma fraude de 32 bilhões de reais no Banco Master após concluir uma due diligence em novembro de 2024. Ainda conforme o relato, Campos Neto teria participado de uma reunião sobre o assunto.
Mensagens interceptadas pela polícia também registraram uma afirmação de Vorcaro de que o Banco Central pediu, em abril do ano passado, que ele se reunisse com Esteves para ouvir uma proposta. O BTG Pactual negou interesse na compra do Banco Master e declarou que fez apenas “compras pontuais de ativos não problemáticos em momentos de falta de liquidez”.
A defesa de Campos Neto afirmou que ele não foi intimado pela Polícia Federal e criticou o vazamento da informação. Os advogados Pedro Ivo Velloso e Francisco Agosti disseram que, sem acesso ao documento, não poderiam confirmar a existência, a autenticidade ou o teor da intimação.







