As importações de aço avançaram 13% em agosto, para 198,1 mil toneladas, e passaram a entrar principalmente por Manaus e Fortaleza. O movimento ocorre enquanto o consumo interno permanece fraco e levou o Instituto Nacional de Distribuidores de Aço (Inda) a trocar a previsão de crescimento pela estimativa de retração de aproximadamente 0,5% no mercado em 2026.
A revisão foi informada pelo presidente do Inda, José Carlos Loureiro, durante entrevista coletiva nesta quinta-feira (24). Antes, a entidade projetava expansão entre 1,5% e 2%. “O nosso consumo de aço está muito fraco”, afirmou Loureiro.
Vendas, compras e estoques
As empresas associadas ao instituto venderam 334,1 mil toneladas em agosto, alta de 1,2% sobre julho, quando o volume foi de 330,2 mil toneladas. Na comparação com agosto de 2025, porém, as vendas recuaram 1%.
As distribuidoras compraram 340,1 mil toneladas no mês. O resultado representa queda de 0,9% em relação a julho e crescimento de 3,8% na comparação anual. Os estoques chegaram a 1,182 milhão de toneladas, avanço de 0,5% sobre o mês anterior, com giro de 3,5 meses.
Para setembro, a rede associada ao Inda espera aumento de 1,5% nas compras e nas vendas, em relação a agosto. Mesmo com essa previsão, Loureiro disse não enxergar, nos próximos 30 ou 60 dias, perspectiva de aumento dos preços no mercado interno. As usinas têm tentado recuperar valores, mas enfrentam o nível de consumo e os estoques.
Pontos de entrada e preços
Em agosto, as importações somaram 198,1 mil toneladas. O volume ficou acima das 175,4 mil toneladas registradas em julho, mas 17,9% abaixo de agosto de 2025, quando chegaram a 241,4 mil toneladas.
Manaus liderou os desembarques, seguida por Fortaleza. São Francisco do Sul ficou em terceiro lugar. Loureiro relacionou a vantagem de Manaus às condições tributárias: os produtos importados que entram pelo polo não pagam imposto de importação de 10% e têm isenção de ICMS. “É uma concorrência muito grande”, disse.
A avaliação do presidente do Inda é que as importações totais de aço continuarão caindo, mas em velocidade menor, com concentração maior nas regiões Norte e Nordeste por causa dos benefícios fiscais.
A diferença de preços também aparece na comparação internacional. A bobina a quente nos Estados Unidos estava cotada em torno de US$ 1,3 mil por tonelada, entre 50% e 60% acima do preço praticado no Brasil.
Aço incorporado a produtos
Loureiro também apontou a pressão da importação indireta, formada pelo aço que chega ao Brasil dentro de produtos acabados e bens industrializados. A estimativa é de que o país caminhe para importar 7,2 milhões de toneladas de aço contido. Para produzir esse volume, seriam necessárias aproximadamente 10 milhões de toneladas de aço.
Entre os produtos citados estão máquinas, equipamentos, veículos e outros itens industrializados. Em uma feira de corte e processamento de metais realizada no Sul do País, o presidente do Inda afirmou que praticamente todas as máquinas expostas eram chinesas ou vinham do Oriente.







