SUL DE MINAS — A mina Catumbi, entre Cabo Verde e Muzambinho, deixou de operar em setembro depois que os custos para produzir e transportar o minério de ferro passaram a superar o valor recebido pela empresa. A paralisação provocou a demissão de cerca de dez funcionários da Cabo Verde Mineração.
A unidade começou a perder viabilidade há cerca de três meses, quando o frete marítimo ultrapassou US$ 25 por tonelada, conforme explicou o CEO da mineradora, Túlio Rivadávia. Embora a empresa não exporte, esse custo influencia o preço praticado no Brasil, porque os compradores usam uma referência internacional para negociar o produto.
Pressão sobre custos e preços
O executivo afirmou que o custo total da operação ficou acima do preço netback, que corresponde ao valor recebido pelo minério depois dos gastos para levá-lo ao comprador. “A partir do momento que a operação dá mais prejuízo do que gera caixa, não faz sentido mantê-la ativa”, disse Rivadávia.
Além do transporte marítimo, a operação foi afetada pelo frete rodoviário, com custos mais altos e a questão dos fretes mínimos. O cenário também envolveu pressão sobre os preços de referência da commodity. “O mercado de minério de ferro está passando por uma turbulência bem forte”, afirmou o CEO.
Outro fator citado pela empresa foi a possibilidade de o governo dos Estados Unidos sobretaxar o ferro-gusa brasileiro. A medida ameaçou clientes guseiros da mineradora em Sete Lagoas, na região Central do Estado, e também afetou as condições da operação da mina Catumbi.







