A experiência em hotéis de luxo está sendo ampliada para além do quarto, do conforto e da qualidade do serviço. Nos projetos do W Florence e do W Rome, gastronomia, bem-estar, música, arte, design e encontros sociais aparecem integrados à proposta de hospedagem.
A ideia é fazer com que o hotel dialogue com a maneira de viver dos viajantes e também com a cidade onde está instalado. Restaurantes, bares, rooftops, spas, lounges e áreas compartilhadas passam a funcionar como espaços de convivência, descoberta e participação, e não apenas como estruturas voltadas aos hóspedes.
W Florence conecta bem-estar, cultura e cidade
Inaugurado em 2025, o W Florence ocupa o antigo Grand Hotel Majestic, na Piazza dell’Unità Italiana. O hotel tem 119 quartos e interiores desenvolvidos pelo AvroKO, que combinam referências da história artística e arquitetônica de Florença com influências do design da década de 1970.
A proposta também aparece na forma como os ambientes são usados. Sauna, banho de vapor, áreas de relaxamento e fitness integram o programa de bem-estar. Na cobertura, sessões de pilates ao nascer e ao pôr do sol relacionam movimento, paisagem e percepção do destino.
A gastronomia acrescenta outra camada à experiência. O restaurante Akira Back oferece cozinha japonesa com influências coreanas em uma cidade associada à tradição gastronômica italiana. A escolha cria um diálogo entre o contexto local e referências externas, sem depender da reprodução literal da culinária da cidade.
A programação cultural inclui música, sessões de vinil, jazz, italo disco, apresentações artísticas e atividades com artistas locais. Restaurante, bar, spa, rooftop e lounge passam a participar de uma proposta comum, em vez de funcionarem como áreas independentes.
W Rome aposta em convivência e criatividade
Em Roma, o W Rome está instalado em dois palazzi do século XIX. A arquitetura histórica é combinada a uma interpretação contemporânea do Meyer Davis Studio, enquanto a programação e os espaços definem a maneira como o hotel se relaciona com a cidade.
O restaurante Giano, orientado pelo chef Ciccio Sultano, reúne referências sicilianas e romanas. No Zucchero, o confeiteiro Fabrizio Fiorani assina as criações. Já o Giardino Clandestino funciona como pátio e área de convivência, e o W Lounge recebe música e DJs.
O rooftop combina piscina, gastronomia e vistas sobre Roma. As conexões com o universo criativo da cidade ajudam a posicionar o empreendimento também como ponto de encontro, aproximando hóspedes, moradores, arquitetura histórica e comportamentos contemporâneos.
Diferentes formas de permanecer
Os dois projetos partem da ideia de que não existe uma única maneira de estar em um hotel. Há espaços para conversar, contemplar, trabalhar, celebrar, comer, descansar ou observar a cidade.
Sofás, mesas, poltronas, áreas externas, restaurantes, lounges, piscinas, jardins e ambientes de wellness oferecem diferentes graus de privacidade, proximidade e sociabilidade. A flexibilidade permite que cada hóspede escolha como usar o hotel ao longo do dia: tomar café sozinho, trabalhar, encontrar alguém no bar, participar de uma atividade, relaxar no spa, jantar ou apenas permanecer diante da paisagem.
Os chamados Living Rooms da W expressam essa mudança. Em vez de serem apenas áreas de passagem ou recepção, aproximam bar, estar, encontros e programação social em ambientes pensados para a permanência.
Do luxo material ao luxo experiencial
A hospitalidade de luxo esteve durante décadas ligada à exclusividade material, aos espaços amplos, aos materiais nobres, à formalidade e ao acesso restrito. Agora, a possibilidade de viver experiências significativas ganha espaço ao lado desses atributos.
Gastronomia, bem-estar, cultura, design e vida social passam a ter papel maior na estratégia dos hotéis. Nesse modelo, a arquitetura organiza o cenário, o design orienta os usos, a gastronomia favorece encontros, o wellness cria pausas e a arte estabelece vínculos com o território. O serviço conecta essas diferentes camadas.
O quarto continua importante, mas deixa de concentrar sozinho a experiência. O hotel passa a ser entendido como uma plataforma de hospitalidade, capaz de reunir relações, sensações, atividades e memórias durante a permanência.
A pergunta central também muda: além de saber o que oferece, o hotel precisa considerar o que permite viver. É nesse ponto que design e hospitalidade se aproximam, criando espaços para receber pessoas e para que elas experimentem o destino de maneiras diferentes.








