Influenciadores alinhados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgaram anúncios pagos que associam o crescimento da candidatura de Flávio Bolsonaro a apostas na Polymarket, plataforma bloqueada no Brasil desde abril. As publicações foram feitas na rede social X e aparecem acompanhadas de gráficos sobre a possibilidade de resultados eleitorais.
A Polymarket funciona como um mercado de previsão: usuários colocam dinheiro em eventos futuros, incluindo eleições. No Brasil, a legislação eleitoral proíbe que terceiros impulsionem propaganda em favor de candidatos e também veda doações de entidades estrangeiras para campanhas.
Entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026, a empresa destinou pelo menos US$ 350 mil, cerca de R$ 1,8 milhão, a influenciadores e criadores de conteúdo. As contas envolvidas incluem perfis ligados ao movimento Make America Great Again (MAGA) e páginas que adotam aparência de veículos de notícias para abordar assuntos internacionais.
Em uma das publicações, o ex-deputado republicano Matt Gaetz, da Flórida, escreveu: “Flávio pode salvar o Brasil. Este é grande prêmio das Américas”. Gaetz tem 3,4 milhões de seguidores e chegou a ser indicado por Trump para o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, mas desistiu da indicação durante investigações sobre crimes sexuais, acusações que negou.
Também aparece a UHN Plus Media Network Inc., que afirma ser movida pela Polymarket e reúne 1,2 milhão de seguidores. Seu vice-presidente é Javier Negre, ex-sócio de Fernando Cerimedo no La Derecha Diario. Cerimedo, ex-consultor de Javier Milei e amigo de Eduardo Bolsonaro, está preso na Bolívia sob acusação de tentativa de homicídio contra Nadia Beller. Ela afirmou que ele trabalharia pela eleição de Flávio Bolsonaro.
O influenciador George Behizy, com 639 mil seguidores no X, também participou das ações. Ele já divulgou alegações falsas sobre fraudes nas eleições dos Estados Unidos.
Donald Trump Jr. é conselheiro da Polymarket, enquanto a empresa 1789 Capital investiu aproximadamente US$ 500 milhões, cerca de R$ 2,5 bilhões, na plataforma. Diante da suspeita de financiamento estrangeiro, o deputado Lindbergh Farias pediu investigação ao Supremo Tribunal Federal.








