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Disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro é associada ao risco de descivilização
Brasil

Disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro é associada ao risco de descivilização

Análise relaciona a retórica da honra e do ódio ao enfraquecimento gradual das instituições democráticas e à violência política.

A disputa eleitoral entre Lula da Silva, do PT, e Flávio Bolsonaro, do PL, é apresentada como uma escolha com efeitos sobre a convivência democrática no Brasil. A possibilidade de vitória de grupos movidos pelo ódio aparece associada ao avanço da radicalização à direita e à repetição de comportamentos violentos entre seus apoiadores.

A política transformada em confronto

Em São Luís, no Maranhão, Flávio Bolsonaro ergueu um retrato do pai e o desafiou: “vem aqui tomar meu quadro”. Em seguida, afirmou que iria junto para honrar o pai. O gesto é interpretado como uma reafirmação da honra e da macheza associadas à família Bolsonaro, em contraste com a campanha de Lula da Silva.

A análise sustenta que atitudes desse tipo podem estimular seguidores a agir como vingadores. A lógica seria semelhante à de uma bicicleta que precisa continuar em movimento para não cair: uma dinâmica baseada no ódio tende a se agravar e a produzir novos episódios de radicalização.

O livro Purificar e Destruir, de Jacques Sémelin, examina o uso político de massacres e genocídios. Na obra, o autor descreve como discursos de ódio podem levar um grupo a transformar outro — ou parte de si mesmo — em inimigo a ser eliminado, e não apenas derrotado politicamente.

A ideia de honra e a violência

O argumento também recupera a chamada legítima defesa da honra, usada pelo advogado Evandro Lins e Silva na defesa de Doca Street pelo assassinato de Ângela Diniz, em 1979. Em 2023, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional essa tese em julgamentos de feminicídio e agressões contra mulheres.

A promessa de recuperar a honra de um país também é relacionada à ascensão dos nazistas, que transformaram a frustração dos alemães com a derrota na Primeira Guerra em energia política para o Terceiro Reich e suas consequências.

Episódios de violência política aparecem ainda em vídeos publicados nas redes sociais. Um dos casos mencionados é o ataque contra um homem que tentava abrir o portão do prédio onde morava, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Ele teria sido agredido por causa de um broche que indicava sua preferência política.

A violência contra um indivíduo é descrita como parte de um processo que começa pela desumanização do outro. Sémelin resume essa operação como “uma maneira de ver o ‘Outro’, de estigmatizá-lo, de rebaixá-lo e anulá-lo”.

O enfraquecimento democrático

A democracia pode perder força aos poucos, mecanismo por mecanismo. Nessa leitura, a vitória de Lula da Silva em 2022 teria representado apenas um tropeço para grupos interessados em limitar os mecanismos democráticos do sistema representativo.

Caso consigam se reorganizar, esses grupos poderiam agir com mais foco para remover obstáculos e alterar instituições, inclusive para beneficiar pessoas condenadas por atentarem contra estruturas democráticas. O resultado seria um desmonte progressivo, definido como um processo de descivilização.

O texto também questiona por que parte da população, apesar das condições materiais de vida, escolhe políticos associados a interesses elitistas, como os representados pelo bolsonarismo e suas variações. A explicação apontada está na força de fantasias maniqueístas, com a divisão do mundo entre santos e pecadores, anjos e demônios, além da criação de figuras demonizadas.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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