SÃO PAULO — O leilão de baterias previsto pelo governo federal para dezembro deste ano pode reduzir entre 40% e 50% os cortes de geração renovável provocados por razões sistêmicas. A estimativa é de Marcio Rea, diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
O percentual final dependerá do volume de baterias contratado. Rea afirmou que o chamado curtailment não é uma questão exclusiva do Brasil e também faz parte da realidade de sistemas elétricos de outros países.
“Esse é o assunto hoje que o GO15, que reúne os 15 maiores operadores [de energia] do mundo, querem que eu sempre aborde”, disse o diretor durante um evento promovido pela CNN em São Paulo capital. Segundo ele, o grupo acompanha como os operadores estão enfrentando o problema.
Usinas reversíveis
Rea também defendeu o avanço das discussões sobre usinas hidrelétricas reversíveis. Essas estruturas contam com dois reservatórios e permitem administrar a água disponível para armazenar eventuais excedentes de energia.
Ainda não existem usinas desse tipo no Brasil. Para o diretor-geral do ONS, porém, um retrofit de hidrelétricas já instaladas poderia viabilizar a alternativa. “Ajudariam muito”, afirmou.
O diretor também disse que os efeitos do El Niño já são percebidos na operação do sistema elétrico. Como exemplo, citou um evento climático extremo ocorrido na Região Sul na semana passada, que derrubou 36 torres de energia.
Cristiane Battiston, diretora da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), afirmou que o fenômeno climático já está instalado. Ela declarou ainda que há indicativos de que o El Niño entrará “muito forte” já na próxima semana.







