A Polícia Federal descreve Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, como “pioneiro nas Bahamas” em razão de estruturas offshore que teria montado no país. Ele é alvo da terceira fase da Operação Carbono Oculto e aparece como operador financeiro de Daniel Vorcaro na produção Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
A informação consta de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), mencionado pela PF ao solicitar uma investigação específica sobre o financiamento do filme. Na representação, os investigadores relacionam a atuação de Freixo Junior no Caribe à estrutura financeira usada nos aportes destinados à produção.
“Cumpre ressaltar que Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, não é um intermediário financeiro de perfil convencional”, diz a PF.
Conexão com empresa contratada por campanha
A campanha de Flávio Bolsonaro registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pagamento de R$ 1,5 milhão à Hanbellseg Serviços e Locações Ltda. A empresa, sediada em Sorocaba, também recebeu R$ 500 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conforme a prestação parcial de contas apresentada pela candidatura.
As sócias da Hanbellseg, Carolina Carmezin Beldi e Beatriz Carmezim Beldi, também integram a Golden Atividades Imobiliárias Ltda. A companhia tem capital social de R$ 14,9 milhões, e sua maior sócia é a Feyther Investment Fund Ltd., fundo constituído nas Bahamas.
Em novembro de 2025, a Golden alterou o contrato social, elevou o capital em R$ 3.417.858, admitiu Beatriz e Mariana Carmezin Beldi como sócias e transferiu a sede para a Rua Vicente Lamarca, 326. No mesmo número estão registradas a Hanbellseg e a HB3 Serviços de Terceirização.
A apuração não identificou transferência de recursos da campanha para a Golden ou para a Feyther. Os registros mostram a ligação societária entre as proprietárias da empresa contratada e a companhia cuja maior participação pertence ao fundo estrangeiro.
Participação do fundo estrangeiro
Com o aumento de capital, a Golden passou de R$ 11.556.301 para R$ 14.974.159. A Feyther subscreveu integralmente as novas quotas e ficou com 9.388.000 das 14.974.159 quotas, participação de 62,65%.
A Feyther tem CNPJ 19.311.044/0001-60 e aparece como empresa domiciliada no exterior. Documento emitido pela Receita Federal em 23 de setembro de 2026 registra o cadastro como suspenso desde 9 de outubro de 2021, por inconsistência cadastral.
O contrato da Golden identifica a Feyther como fundo constituído pelas leis das Bahamas e informa endereço em Nassau. A empresa também aparece em registros de fundos da Securities Commission of The Bahamas de 30 de setembro de 2020, sob a classificação SFM 004, com administração da The Winterbotham Trust Company Limited. Na relação de 31 de maio de 2026, a Feyther não consta.
Movimentações citadas pela PF
Entre janeiro de 2024 e dezembro de 2025, Daniel Vorcaro movimentou US$ 89,6 milhões nas Bahamas. A PF afirma que as remessas conhecidas destinadas ao Dark Horse foram enviadas diretamente ao fundo Havengate, nos Estados Unidos.
O relatório do Coaf também relaciona Vorcaro à Mosaic Financial, corretora de valores mobiliários registrada nas Bahamas, e a outras empresas. A suspeita apresentada é de que a estrutura possa ter sido usada para lavagem de dinheiro de corrupção, entre outros crimes.
Os documentos analisados não identificam o beneficiário final da Feyther. Nelson Diniz da Costa aparece como procurador do fundo no Brasil e administrador da Golden. A existência de uma estrutura internacional, isoladamente, não representa irregularidade.







