A defesa de programas de inclusão e transferência de renda vem acompanhada de uma exigência: medir resultados, divulgar dados e corrigir o que não funciona. Essa é a posição apresentada por Djalba Lima, que considera necessário proteger quem precisa agora e ampliar suas possibilidades para o futuro.
O autor cita dados do IBGE para dimensionar a importância dessas políticas. Em 2024, a extrema pobreza atingia 3,5% dos brasileiros. Sem os rendimentos dos programas sociais, o índice chegaria a 10,0%. Para ele, os números representam situações concretas de fome e privação, além de oportunidades que podem não surgir para crianças e jovens.
Lima também menciona uma estimativa da OCDE segundo a qual, nas condições observadas, descendentes de uma família pobre no Brasil poderiam levar nove gerações ou mais para alcançar a renda média. A avaliação, segundo ele, não significa afirmar que a ascensão seja impossível, mas reconhecer que o caminho é longo demais para milhões de pessoas.
Avaliação das políticas
Na visão do autor, a transferência de renda cumpre uma função essencial quando impede que uma família passe fome. Mas uma política de inclusão deveria também contribuir para interromper a transmissão da pobreza entre gerações. Por isso, ele defende perguntas sobre aprendizagem, conclusão dos estudos e acesso dos adultos a trabalhos em melhores condições depois da requalificação profissional.
Estudos reunidos pelo Banco Mundial são citados como exemplo de avaliação. Eles apontam maior escolaridade entre crianças beneficiárias do Bolsa Família, incluindo uma probabilidade 4 a 8 pontos percentuais maior de conclusão do ensino médio. Para Lima, resultados desse tipo devem ser examinados com rigor e acompanhados ao longo do tempo.
A posição inclui a rejeição ao bolsonarismo, descrito como um movimento que transforma a devoção a um líder em critério de verdade e a hostilidade ao adversário em método político. O autor também rejeita Donald Trump e a reverência a ele atribuída à família Bolsonaro e a seus seguidores no Brasil.
Isso, porém, não é apresentado como oposição à direita. Lima afirma que já votou, ou poderia votar, em nomes de uma direita democrática e esclarecida. Também declara não ser petista nem lulista e diz que não precisa de rótulos para reconhecer o valor de uma política pública ou defender um governo quando considera que ele acertou.
O princípio que orienta essa postura é o respeito às instituições, aos fatos e às pessoas. O autor afirma não dever fidelidade incondicional a partido ou governante, mas atenção a quem continua esperando uma oportunidade e disposição para verificar se as políticas chegam a essas pessoas.







