Quase 2 milhões dos 158 milhões de brasileiros e brasileiras aptos a votar nas eleições de 2026 são pessoas com deficiência. Para esse público, a urna eletrônica terá novas funcionalidades e manterá recursos destinados a diferentes necessidades de acesso ao voto.
Novidades previstas para 2026
Pessoas com baixa visão poderão usar uma fonte de caracteres desenvolvida para melhorar a leitura dos textos exibidos na urna. A Justiça Eleitoral também oferece áudio com volume e velocidade ajustáveis, além de fones de ouvido próprios para o equipamento.
Eleitores com deficiência auditiva contam com interpretação em Libras. O recurso informa o cargo em votação e orienta sobre a escolha por voto branco, nulo ou de legenda. A tradução dessas três opções será uma novidade em 2026. A janela de Libras ocupa metade da altura e um quarto da largura da tela.
A urna eletrônica foi lançada em 1996 já com teclas em braile. Ao longo dos últimos 30 anos, outros mecanismos foram incorporados. Segundo Rodrigo Coimbra, chefe da Seção de Voto Informatizado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o equipamento tem recursos voltados especialmente a eleitores com deficiência visual ou auditiva.
Teclas, áudio e estrutura da urna
O teclado tem teclas em alto-relevo, indicações em braile e clique audível. A tecla cinco tem uma marcação em relevo, enquanto a tecla confirma possui tamanho diferente das demais. Esses elementos auxiliam pessoas com deficiência visual.
A sintetização de voz conduz o eleitor cego ou com baixa visão durante a votação. O áudio informa o cargo, reproduz os números digitados e anuncia o nome da candidatura escolhida. Para utilizar essa função, é necessário recorrer aos fones fornecidos pela Justiça Eleitoral no dia da votação; aparelhos próprios não são permitidos.
O desenho da urna também atende pessoas de alturas diferentes, incluindo eleitores em cadeira de rodas ou com nanismo.
Acompanhante e atendimento prioritário
O eleitor com deficiência pode entrar na cabine acompanhado por uma pessoa de confiança e, se for necessário, permitir que ela digite os números. A medida depende de autorização do presidente da mesa e só deve ser usada quando a presença do acompanhante for indispensável para a votação.
O acompanhante não pode trabalhar para a Justiça Eleitoral, partido político ou coligação. Não é necessário solicitar autorização antes do dia da eleição: basta informar a situação ao presidente da mesa no local de votação.
Também podem ser usados instrumentos mecânicos de tecnologia assistiva, como hastes especiais para amputados. Esses recursos não podem ser eletrônicos nem comprometer o sigilo do voto.
A Resolução nº 23.759/2026 do TSE garante atendimento prioritário às pessoas com autismo. Não há exigência de cadastro prévio ou laudo; o eleitor deve comunicar a necessidade ao presidente da mesa. O artigo 31, parágrafo primeiro, da resolução assegura ainda o direito de votar com alguém de confiança, inclusive para a digitação dos números, desde que haja autorização do presidente da mesa.
Ordem de preferência na fila
A prioridade inicial é destinada a pessoas com mais de 80 anos. Depois, conforme a ordem de chegada, têm preferência pessoas idosas, com deficiência, autismo, gestantes, obesas e com crianças de colo.
Doadores de sangue também têm direito à prioridade, mas ficam por último entre os grupos preferenciais. Para isso, precisam apresentar um documento que comprove doação realizada há menos de 120 dias.








