Mitsuya Kishida, CEO da Nidec, decidiu deixar o comando da fabricante japonesa de motores elétricos em meio ao aumento das perdas no negócio de sistemas para veículos elétricos e a irregularidades contábeis. A expectativa é que ele apresente a renúncia nesta terça-feira.
O conselho de administração, formado majoritariamente por conselheiros externos, pretende substituir Kishida para esclarecer as responsabilidades gerenciais pelos problemas. Michio Kaida, diretor de Tecnologia (CTO), é considerado um possível sucessor, embora a empresa também avalie escolher um dos atuais diretores.
Na quarta-feira, a Nidec planeja divulgar o relatório de valores mobiliários referente ao ano fiscal encerrado em março e anunciar correções nos resultados financeiros dos últimos cinco anos. A empresa ainda ajusta, com a auditoria e outras partes envolvidas, os detalhes e o tamanho das perdas por redução ao valor recuperável, conhecidas como impairment.
Perdas no negócio de e-axle
A companhia espera registrar perdas na casa das centenas de bilhões de ienes, valor acima das estimativas anteriores. Em março, havia informado que avaliava encargos de cerca de 250 bilhões de ienes ligados a ativos fixos e ágio do negócio de e-axle, sistema de tração de veículos elétricos. A revisão posterior apontou para uma perda substancialmente maior.
Kishida entrou na Nidec em 2022, vindo da Sony. Depois de ocupar cargos de alto escalão, tornou-se diretor representante, presidente e CEO em 2024. Ele supervisionava as operações automotivas e trabalhava para reverter os resultados do e-axle, projeto associado ao fundador Shigenobu Nagamori.
A Nidec investiu pesadamente nessa operação, inclusive por meio de fusões e aquisições. A transição global para veículos elétricos desacelerou, enquanto fabricantes chinesas passaram a integrar componentes-chave, como os sistemas e-axle. A lucratividade do negócio caiu, e a operação também apresentou irregularidades contábeis, entre elas tentativas de evitar o reconhecimento de perdas em ativos fixos.
Controles internos e situação financeira
As irregularidades vieram à tona em setembro do ano passado. Em outubro daquele mesmo ano, a Bolsa de Valores de Tóquio colocou a Nidec sob “alerta especial”. Nagamori deixou o cargo de diretor representante no final de 2025 e renunciou à presidência honorária em fevereiro deste ano.
A saída de Kishida pode afetar os esforços para reestruturar os controles internos e obter a retirada do alerta especial. Ao final de setembro de 2025, a Nidec tinha patrimônio líquido superior a 1,7 trilhão de ienes. Mesmo com perdas de 1 trilhão de ienes e um prejuízo líquido substancial, a empresa não se tornaria insolvente.
Em novembro do ano passado, a companhia assinou linhas de crédito com o MUFG Bank e o Sumitomo Mitsui Banking Corp., garantindo financiamento total de até 600 bilhões de ienes. Kaida liderou a preparação do plano de melhoria e do relatório de progresso apresentados à Bolsa de Valores de Tóquio.







