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Chuvas reduzem coleta de papel e pressionam renda de catadores no Brasil
Câmbio e custos

Chuvas reduzem coleta de papel e pressionam renda de catadores no Brasil

A Anap estima queda de até 10% nas entregas de setembro, enquanto a umidade reduz o valor pago pelo material recolhido nas ruas.

As chuvas associadas ao El Niño reduziram a coleta de papel, papelão e sobras de produção feita por catadores em áreas do Sul e do Sudeste. A Associação Nacional dos Aparistas de Papel (Anap) estima uma queda de até 10% nas entregas realizadas em setembro a empresas que compram e comercializam esses materiais para a indústria de embalagens.

Os catadores respondem pela maior parte da coleta de aparas no país e movimentam cerca de 1,3 milhão de toneladas por ano, o equivalente a R$ 1 bilhão, segundo a Anap. O trabalho fica mais difícil quando há tempestades, granizo e alta umidade.

“Chuvas torrenciais, chuva de pedra” dificultam a coleta nas ruas, afirmou João Paulo Sanfins, presidente da Anap. Em setembro, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou chuvas intensas em curtos intervalos, raios, vendavais, microexplosões, tornados e granizo em cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. São Paulo registrou volume de chuva acima dos maiores acumulados observados anteriormente para setembro em sua série histórica.

A Anap representa empresas responsáveis pela reciclagem anual de cerca de 4 milhões de toneladas, equivalentes a aproximadamente R$ 4 bilhões. As chuvas desestimulam a coleta e também depreciam o preço recebido pelos catadores. Quando a umidade do papel recolhido nas ruas passa de 15%, a indústria aplica desconto sobre o peso do material.

A coleta nas ruas representa de 40% a 50% do abastecimento das empresas aparistas. Grandes geradores, como supermercados e shopping centers, respondem por 40%, enquanto as sobras limpas de gráficas e indústrias representam de 15% a 20%.

No mercado de embalagens de papel, 85% da indústria é abastecida por aparas fornecidas por empresas representadas pela Anap. Os outros 15% vêm de compras diretas feitas pelas próprias fábricas.

Para Sanfins, o risco de a redução afetar estruturalmente a indústria é baixo. O abastecimento continua, mas exige maior esforço logístico, inclusive em um período de demanda sazonalmente alta, quando as fábricas de embalagens atendem ao aumento das vendas festivas.

O presidente da Anap defende a estruturação da coleta seletiva pelos municípios e o apoio a cooperativas com centros de triagem cobertos. A regulamentação da logística reversa do papel, prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos, também pode formalizar a cadeia e estimular investimentos privados em infraestrutura, como áreas cobertas, prensas e veículos.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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