A preparação para a próxima temporada de chuvas já inclui sistemas de alerta, reforços em estruturas e protocolos operacionais em mineradoras que atuam em Minas Gerais e em outras regiões do país. A movimentação ocorre diante da possibilidade de alterações nos padrões de chuva e temperatura provocadas pelo El Niño, fenômeno associado ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico.
O alerta da Agência Nacional de Mineração (ANM), emitido aos empreendedores do setor no dia 10 de setembro, recomendou atenção especial às estruturas de disposição de rejeitos, incluindo barragens de mineração. A agência apontou que mudanças na precipitação podem aumentar a ocorrência de chuvas intensas e concentradas, principalmente em estados da região Sul.
Entre os pontos de atenção estão os sistemas de drenagem, estruturas extravasoras e equipamentos de bombeamento. A recomendação é verificar as condições de operação e manutenção desses recursos para que estejam preparados para eventos hidrometeorológicos críticos.
Ações em unidades de Minas Gerais
Em Minas Gerais, a Jaguar Mining colocou em prática um plano com dezenas de medidas. A empresa prevê reforçar o bombeamento, manter as drenagens, melhorar estradas, estabilizar taludes e prevenir incêndios florestais.
A companhia também vai usar o Sistema de Monitoramento e Alerta Climatempo (Smac), com acompanhamento meteorológico 24 horas por dia, e instalar pluviógrafos nas unidades operacionais. Entre as ações em andamento estão a limpeza de drenagens pluviais, a melhoria do pavimento de acessos e o reforço de tendas, telhados industriais e outras estruturas.
A empresa ainda implanta aceiros corta-fogo e faz o manejo da vegetação perto de redes elétricas, tubulações, galpões e outros ativos. As equipes participam de treinamentos para emergências e de campanhas internas de prevenção.
“Nosso plano olha para diferentes cenários. Precisamos estar preparados tanto para chuvas intensas, que podem afetar drenagens, acessos e estruturas, quanto para períodos de seca, com maior risco de poeira e incêndios”, afirmou Ernesto Bossi, gerente geral de Geotecnia da Jaguar.
A Cedro Mineração, que atua em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), informou que não adotou uma ação especial por causa do El Niño. De acordo com a empresa, o acompanhamento de mudanças e fenômenos climáticos já integra a operação das minas. A companhia também informou que não utiliza barragens de rejeitos.
Planos diferentes entre as companhias
Durante a Exposibram, o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, disse que a mineradora já mantém medidas preventivas. A empresa reforça o combate a incêndios no Norte do país e prepara um plano para um possível aumento das chuvas nas regiões Sul e Sudeste. Também avalia os reflexos sobre suas operações no Sudeste, região que concentra unidades importantes em Minas Gerais.
A Itaminas Mineração informou que ainda não tem um plano específico para o fenômeno.
A procura por monitoramento meteorológico também foi destacada pela Climatempo durante a Exposibram 2026, realizada no fim de agosto, em Belo Horizonte. Segundo a empresa, mineradoras têm buscado sistemas de monitoramento contínuo, alertas hiperlocais e ferramentas que ajudem a transformar dados climáticos em decisões operacionais.
O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) também iniciou ações com empresas associadas voltadas à preparação e à segurança das operações. Durante o evento, o presidente da entidade, Pablo Cesário, alertou para os riscos de eventos climáticos extremos na temporada de chuvas prevista para o início de 2027.
Para a Climatempo, informações antecipadas podem apoiar decisões como interromper uma atividade, retirar trabalhadores de uma área de risco e escolher um momento mais seguro para a retomada. A empresa informou que o setor busca integrar o monitoramento climático ao planejamento das operações.







