O Desenrola 3 pode permitir que bancos recuperem até R$ 15 bilhões no quarto trimestre, segundo análises do UBS BB. O programa de renegociação de dívidas do governo também tende a favorecer instituições com maior exposição a crédito sem garantia, enquanto a proibição de apostas esportivas pode melhorar a qualidade dos ativos.
Na avaliação do Goldman Sachs, a medida cria uma alternativa rápida para resolver créditos vencidos há muito tempo. O Nubank aparece como possível principal beneficiário entre as instituições citadas, por ter uma carteira mais concentrada em crédito sem garantia. A mesma vantagem teria sido observada no Desenrola 2.
Descontos e recuperação de créditos
Bradesco, Itaú e Santander venderam, na média dos últimos 12 meses, carteiras desse tipo por 4% do valor de face, o equivalente a um desconto de 96%. Como o programa prevê desconto mínimo de 90%, o UBS BB avalia que os bancos podem obter um resultado superior ao das vendas realizadas anteriormente.
O banco também considera que o Nubank pode se beneficiar por sua exposição a crédito pessoal e cartões de crédito. “Assim, os bancos poderiam recuperar até R$ 15 bilhões, que devem ser considerados ganhos extraordinários durante o quarto trimestre”, afirmam os analistas.
O Citi estima que o Desenrola 3 pode gerar ganhos relevantes de recuperação para instituições com dívidas de consumidores altamente provisionadas ou já amortizadas. Para bancos e fintechs, o dinheiro recebido por empréstimos baixados a prejuízo ou fortemente provisionados aumentaria as recuperações, reduziria o custo líquido do risco e apoiaria os lucros.
Efeito das bets
Os analistas consideram ligeiramente positiva para a qualidade dos ativos a proibição de apostas esportivas. Mais de 40 milhões de brasileiros já colocaram dinheiro nas bets, que representaram cerca de R$ 20 bilhões de receita bruta no primeiro semestre deste ano.
A avaliação é que a restrição pode ampliar a renda disponível das famílias e melhorar a qualidade dos ativos dos bancos, especialmente no segmento de baixa renda. Ao mesmo tempo, medidas mais amplas de crédito responsável podem aumentar a fiscalização sobre a oferta de empréstimos e a proteção ao consumidor, limitando o crescimento de produtos sem garantia de maior rentabilidade.







