A queda no preço das baterias e dos painéis solares está mudando a disputa por investimentos em energia, na avaliação de Al Gore. O ex-vice-presidente dos Estados Unidos afirma que as tecnologias limpas já se tornaram mais baratas que as fósseis e passaram a destravar recursos para a transição energética.
Dados reunidos pela Generation Investment Management, gestora fundada por Gore, mostram que os aportes em energia renovável somaram US$ 2,2 trilhões em 2025 — o dobro do valor destinado aos combustíveis fósseis no mesmo período.
Para Gore, a guerra no Oriente Médio reforçou a busca por alternativas ao petróleo, ao gás e ao carvão. A escassez de derivados em países importadores aproximou as preocupações com o abastecimento das discussões sobre o clima. Na avaliação dele, segurança energética e segurança climática passaram a representar o mesmo desafio.
Renováveis avançam em várias frentes
Gore citou a energia solar como a fonte de eletricidade mais barata da história e afirmou que o preço das baterias cai ainda mais rapidamente. Esses equipamentos permitem armazenar a geração solar para uso depois do pôr do sol e aproveitar a energia eólica quando não há vento.
O ex-vice-presidente também mencionou veículos elétricos, agricultura regenerativa e tecnologias como o aço verde. Neste ano, um em cada quatro carros novos vendidos no mundo será elétrico. Segundo ele, os gastos com tecnologias limpas geram três vezes mais empregos, proporcionalmente, do que os investimentos em combustíveis fósseis.
A energia renovável já recebe duas vezes mais recursos que a fóssil. No ano passado, 86% de toda a nova capacidade energética instalada no mundo veio de fontes renováveis. Nos Estados Unidos, essa proporção chegou a 91%. Na África, são instalados 100 mil painéis solares por dia.
Transição ainda depende dos fósseis
Apesar do avanço, Gore afirma que os combustíveis fósseis continuarão recebendo investimentos. O mundo ainda depende dessas fontes para 80% da energia consumida, e a mudança, segundo ele, levará tempo.
Ele também avaliou que a China terá papel central no fornecimento de tecnologias limpas, mas disse que Estados Unidos e Brasil podem fabricar seus próprios painéis solares. Para Gore, a disponibilidade do sol e do vento reduz a dependência de rotas estratégicas de transporte.
A expectativa dele é que 2026 seja lembrado como um ponto de virada. Gore também afirmou que as COPs continuam essenciais e citou a realização do encontro deste ano na Turquia, da COP32 no ano seguinte, na Etiópia, e a possibilidade de a China sediar a COP33.







