O Ministério Público de São Paulo afirma que o Banco Genial ofereceu uma estrutura financeira para esconder a origem dos recursos e os reais responsáveis pela compra da distribuidora de combustíveis Terrana. A operação envolveria os empresários Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, que estão foragidos da Justiça e são apontados como ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A acusação consta do procedimento investigatório criminal que fundamentou a terceira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada na quinta-feira (24) com o nome de Crédito Oculto. Silva e Mourad foram alvos principais da primeira etapa da operação, realizada em agosto de 2025.
Segundo o MP-SP, os empresários precisavam de uma estrutura financeira e societária para ocultar a origem e a titularidade dos valores aplicados na aquisição da Terrana, além dos beneficiários finais. O juiz Sandro Nogueira de Barros Leite, do Tribunal de Justiça de São Paulo, afirmou na decisão que autorizou as buscas que os dois “teriam edificado projeto criminoso de lavagem de capitais para a aquisição da distribuidora Terrana”.
Estrutura financeira investigada
A compra teria começado com o fundo Radford, que tinha como único cotista a usina sucroalcooleira Itajobi, localizada em Marapoama, no estado de São Paulo. Segundo as investigações, a usina seria ligada a um primo de Mohamad Mourad.
O fundo era administrado pela Altinvest e foi transferido ao Banco Genial em agosto de 2024. Os investigadores apontam Rogério Garcia Peres, gestor da Altinvest, como operador das lavagens de capitais atribuídas a Silva e Mourad.
O Radford aplicou recursos em certificados de depósito bancário vinculados, emitidos pelo Genial. Esses instrumentos estavam relacionados a cédulas de crédito bancário emitidas pelas empresas Berna Holdings e Branson Holdings, de titularidade de Paulo Narcélio Simões do Amaral. A destinação indicada era a aquisição do fundo Derby 44 e da Tramp Oil Ltda., controladora da Terrana.
Depois, o Banco Genial deixou a administração do fundo, liquidou os certificados e transferiu ao Radford os créditos das cédulas. Para o juiz Barros Leite, a movimentação formava uma relação circular: o dinheiro usado para financiar a compra teria origem, em última análise, no próprio Radford, cujo cotista exclusivo era a Usina Itajobi.
O MP-SP também citou um alerta no sistema de compliance do banco quando a instituição assumiu a administração do fundo. A apuração mencionou que a Entre Investimentos e Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, teriam sido responsabilizados pela Comissão de Valores Mobiliários por fraudes em casos anteriores. Ainda assim, segundo os promotores, o compliance deu continuidade à administração e aos negócios seguintes.
Resposta do Banco Genial
O banco informou que Humberto Arthur Tupinambá Neto não integra mais sua diretoria e deixou de ser sócio em maio de 2026, após sua destituição. Ele é um dos principais alvos da terceira fase e já foi diretor da instituição.
Em nota, o Genial afirmou que forneceu ao Gaeco-SP as informações sobre as operações envolvendo o Fundo Radford, a Berna Holdings e a Branson Holdings. Também declarou ter feito as comunicações cabíveis ao Coaf.
A instituição disse ainda que abriu um processo de inspeção interna, revisou a governança das operações de crédito, afastou o então diretor dos processos decisórios e posteriormente o destituiu. Após a deflagração da operação, renunciou à administração do Fundo Radford e afirmou que continua colaborando com as autoridades.







