BRASÍLIA — A nova etapa da Operação Carbono Oculto investiga como fundos, empresas e instituições financeiras teriam sido usados para ocultar patrimônio e lavar dinheiro. Batizada de Crédito Oculto, a operação também apura conexões com empresas e pessoas relacionadas às fases anteriores da investigação.
A Receita Federal identificou movimentações de R$ 11,6 bilhões nas estruturas analisadas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que os recursos circularam por diferentes camadas do sistema financeiro. “Quando a gente olha para todo o material que a Receita apurou, a gente identifica essa movimentação de R$ 11,6 bilhões”, disse durante entrevista coletiva em Brasília.
Mandados em sete Estados
A ação foi deflagrada nesta quinta-feira (24) e cumpre mandados de busca e apreensão ligados a 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas. São 26 mandados em São Paulo e um em cada um dos Estados do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
De acordo com as investigações, estruturas sobrepostas teriam sido utilizadas primeiro para esconder o controle de uma empresa sucroalcooleira e, depois, para viabilizar a compra de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país. A operação busca esclarecer a participação dessas estruturas na aquisição.
Durigan afirmou que a Receita trabalha em cooperação com o Ministério Público de São Paulo, o GAECO, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. Ele também citou a primeira fase da Carbono Oculto, deflagrada em 2025, e a segunda etapa, chamada de Fluxo Oculto, que teve como foco fundos administrados pela gestora Reag, já liquidada pelo Banco Central.
Fundos e instituições financeiras
Segundo o ministro, a fase anterior permitiu identificar fintechs usadas nas operações. Agora, a apuração também se concentra na Entre, apontada por ele como instrumento de ocultação e lavagem de dinheiro para que uma usina adquirisse uma distribuidora de combustíveis sem revelar a propriedade real do comprador.
Durigan disse que a análise envolve fundos de investimento, administradoras de recursos, bancos e gestoras. Conforme a investigação, alguns fundos eram usados dentro de outros fundos e pertenciam a uma administradora de recursos ou a um banco, formando estruturas destinadas à ocultação patrimonial.
O ministro afirmou ainda que a Receita pretende usar Inteligência Artificial e a automatização de processos de fiscalização para identificar com mais rapidez as movimentações e as empresas envolvidas.
Questionado sobre uma possível relação entre recursos investigados e a produção do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, Durigan sinalizou positivamente. Segundo ele, a investigação precisa identificar a origem dos valores quando recursos de diferentes atividades aparecem reunidos em um mesmo fundo.







