SÃO PAULO — O Hotel Trends Conference reuniu, ao longo de dois dias, discussões sobre os desafios e as oportunidades da hotelaria. Entre os principais pontos, apareceu a necessidade de os meios de hospedagem aproveitarem melhor os recursos que já têm antes de investir em expansão física ou em novas unidades.
Promovido pela Noctua Advisory, o evento também contou com a participação do economista Guilherme Dietze, presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP. Para ele, a hotelaria pode ampliar resultados ao tratar o estabelecimento como uma plataforma de experiências, serviços e relacionamento, e não apenas como um local de venda de quartos.
Dados e personalização na jornada do hóspede
Um dos painéis discutiu o fim do hóspede anônimo. Com a inteligência artificial e a maior disponibilidade de dados, os hotéis podem criar perfis mais detalhados dos clientes e ajustar a experiência em diferentes etapas: busca, reserva, estadia e pós-experiência.
A personalização pode aparecer em pequenos gestos ou em mudanças mais amplas na jornada. O uso dos dados, nesse contexto, foi apresentado como uma ferramenta para apoiar decisões e estimular o retorno dos hóspedes.
Alimentação e bem-estar ganham espaço
As mudanças nos hábitos de consumo também foram relacionadas à operação hoteleira. A popularização das canetas emagrecedoras foi citada como um fator que influencia o comportamento alimentar de parte dos viajantes. Com isso, o setor de alimentos e bebidas passa a receber atenção estratégica, com cardápios mais saudáveis podendo pesar na escolha da hospedagem.
Os espaços wellness também deixaram de ser tratados apenas como diferencial. Academias e áreas voltadas ao bem-estar entram nas discussões sobre reformas e sobre a composição das receitas dos estabelecimentos.
Serviços adicionais e redução de custos
Experiências exclusivas, pontos de venda internos e serviços como fotografia profissional foram apresentados como alternativas para elevar o gasto médio do hóspede sem ampliar fisicamente o hotel. Outra possibilidade citada foi oferecer um voucher de serviços internos para quem optar por não ter o quarto arrumado.
A medida pode reduzir o consumo de produtos de limpeza e as horas de trabalho, ao mesmo tempo que entrega uma contrapartida ao hóspede. No evento, essa relação foi associada à aplicação prática de princípios ESG na gestão.
A diversidade da hotelaria brasileira impede uma fórmula única. Ainda assim, a recomendação debatida foi avaliar o potencial máximo da estrutura existente, melhorar a experiência, diversificar receitas e usar dados antes de considerar uma expansão.
Guilherme Dietze é economista e presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP.








